2006/07/04

Portugal e a Selecção

O país anda louco. Acaba-se uma partida de Futebol com a vitória da Selecção e sai tudo para a rua a festejar ruidosamente, enchendo carros de tal forma que, em qualquer outra situação, seria considerada de perigo extremo e multada adequadamente. Trepa-se a estátuas e sofre-se quedas perigosas, que noutros casos seriam consideradas culpa do Governo por não vigiar adequadamente os locais.

Mais: assiste-se aos jogos de camisola vestida, bandeira empunhada, cachecol de fibra a fazer transpirar o pescoço e as mãos, vestindo momentaneamente o orgulho nacional de que nos esquecemos no dia a dia. Aquele briozinho que, aproveitado, poderia possivelmente fazer este país avançar: fazer bem feito, lutar, com esforço e algum espírito de sacrifício. Com vontade de mostrar, como a Selecção, que somos bons, que conseguimos.

Mas não. Acaba o Campeonato e, passado pouco tempo, arruma-se a bandeira, enfia-se a camisola na gaveta até ao próximo e voltamos ao mesmo sentimento de inferioridade e saudosimo que sempre nos caracterizou. Que, acompanhado pelo facilitismo e espírito de desenrascanço, irá manter o país onde sempre tem estado desde há alguns anos para cá: atrás dos outros todos. A não ser no Futebol. Neste, não há lugar a desenrascanço – qualquer falha, qualquer erro, pode trazer consigo a derrota. Qualquer desvio das regras por parte de um jogador, implica um possível desempenho mais fraco, e consequente fracasso.

Quando a Selecção joga, grita-se por Portugal quando se deveria gritar por um grupo de jogadores que, esforçadamente e com espírito de sacrifício, se dedicam à causa de representar o seu país. Com orgulho. Jogadores que, na sua maioria, representam, fora dos campeonatos, clubes estrangeiros. Porque sabem cumprir regras, porque têm que corresponder com resultados ao dinheiro que ganham. Que começaram por jogar em pequenos clubes e conseguiram, por mérito, chegar à equipa suprema de um país.

Quando se assiste a um jogo do Campeonato do Mundo, ou da Europa, não é Portugal que joga, desengane-se quem ainda o pensar; é a Selecção. São os melhores dos melhores.

Pena que isto se consiga, com algumas excepções, só no Futebol. E pena também que mais portugueses, em todas as áreas, não lhes sigam o exemplo.

Temos tudo para ganhar. Tanto na Selecção, como em Portugal. Só falta fazer um esforço.

6 comentários:

BlahBlahBlah disse...

Bravo! Pelo texto e pela onda de energia positiva que de repente invadiu estes estados de alma :)

Boa, boa!


PS: Recebi o email que agradeço [na 5a feira já lhe ligo, que amanhã à tarde temos o país de folga a assistir a mais um jogo].

psi2 disse...

Todos estamos de parabéns! Força Portugal!

A Rapariga disse...

O sonho acabou hoje. Perdemos com a França. Previsível!
Gosto muito do que escreveste, mas eu nunca acreditei que chegávamos à final.
Beijos

BlahBlahBlah disse...

E quando não se acredita...

Nelson disse...

Excelente texto. Pena que não se tente reproduzir o sucesso, empenho e profissionalismo em outras actividades...

kakel disse...

:) bonito