2008/07/30

Traveling light

Não sei viajar com pouca bagagem. Nunca consigo decidir o que é supérfluo e o que não é, e acabo por levar atrás de mim uma mala pesadíssima para onde quer que vá.
Por um lado, deve ter que ver com o nunca fazer planos, ou nunca ter feito. Na solução de recurso que são sempre as minhas férias, acabo por ir por arrasto e ter que seguir os planos dos outros e, por isso, há que ir preparada para qualquer situação.
Por outro lado, tem que ver com aquele ligeiro sentimento de perda que desde sempre se apodera de mim algum tempo antes da partida, que me faz sentir saudades ainda antes de sair a porta. E então, perco o meu tempo a despedir-me do que é meu, para deixar a certeza de que também voltarei, e a escolher alguns objectos eleitos para me acompanharem.
Desta vez, terei que deixar a bagagem mais importante para trás ou não terei tranquilidade. Custou-me decidir isto tanto quanto das outras vezes, ou até ainda mais, porque não tenho qualquer certeza do que deixo, muito menos do que encontrarei quando voltar, na prateleira onde o arrumei.
Desta vez, levo comigo um imenso vazio.
Foto daqui.

1 comentário:

Fevereiro disse...

Mas que não tragas de volta esse imenso vazio, atira-o ao mar, para nunca mais o encontrares.
Vem preenchida!
Beijinho.