2006/04/26

Ah pois é, houve uma revolução, não foi?

Parece que sim. Na minha família também. Partiu-se em dois. Os excessos cometidos pelos ardores da revolução levaram a que a minha família emigrasse. E foi muito doloroso, na altura, deixar de ter com quem passar o Natal, os aniversários, as férias...

De resto, e apesar de ter sido essencial e inevitável, nada mais significa para mim? Cravos? Não gosto, muito menos do cheiro. Liberdade? Será que alguém já percebeu onde começa e acaba? Respeito? Ficou pelo caminho. Tolerância? Deixem-me rir. Democracia? Talvez, mas sobretudo desigualdade.

Quanto a mim, os portugueses ainda não se libertaram do estigma do "lá fora é muito melhor" e, em vez de seguirem o exemplo, continuam a entronizar os outros em vez de deitarem mãos à obra. Muito se disse na altura da revolução, muito se continua a esperar... mas continuamos sentados, em contemplação.

Hoje, 25 de Abril, dei por mim a ir trabalhar sem remuneração, apenas porque uma estagiária a custo zero também lá estava, a tentar conquistar um contrato de seis meses. E porque naquela empresa nos agradecem com um "não fizeram mais que a vossa obrigação". E porque dizer não significa dar um passo largo em direcção ao despedimento.

Foi isto que se conseguiu?

2 comentários:

S. disse...

Foi a Revolução dos Cravas...

marakoka disse...

gostei de ler.te
os valores de abril perderam-se no caminho
demo.cracia!


jocas maradas