2007/07/12

Silly Season

Algo de profundamente errado se passa a partir do momento em que a minha silly season termina exactamente no dia em que vou de férias e recomeça no momento em que regresso ao trabalho.

2007/06/26

Madrugar

Há bocado estava a ouvi-lo* e agora já não estou. Não sei se era da excitação de ter avistado a presa, se um canto de glória por ter sido o primeiro a lá chegar. O que é certo é que num instantinho, o pássaro se calou. Afinal, madrugar tem as suas vantagens. Excepto para as minhocas, claro.

Foto daqui.

*Ao pássaro madrugador que, por isso, teve direito à minhoca. Ou, como quem diz em estrangeiro,
the early bird gets the worm.

2007/06/08

La folie

"Bonsoir
Ton vehicule n'a pas l'air d'avoir de passager
Peux-tu: Veux tu me recevoir

Sans trop te déranger?

Mes bottes ne feront pas trop d'echos dans ton couloir

Pas de bruit avec mes adieux
Pas pour nous les moments perdus
En attendant un uncertain au-revoir

Parce que-j'ai la folie, oui c'est la folie


Il était une fois un etudiant

Qui voulait fort, comme en litérature

Sa copine, elle était si douce

Qu'il pouvait presque, en la manageant

Rejeter tous les vices
Repousser tou les mals

Détruire toutes beautés
Qui par ailleurs, n'avaient jamais été ses complices
Parce qu'il avait la folie, oui, c'est la folie

Et si parfois l'on fait des confessions

A qui les raconter - même le bon dieu nous a laissé tomber

Un autre endroit, une autre vie
Eh oui, c'est une autre histoire
Mais a qui tout raconter?
Chez les ombres de la nuit?

Au petit matin, au petit gris
Combien de crimes ont été commis

Contre les mensonges et soi disant les lois du coeur
Combien sont la à cause de la folie
Parce qu'ils ont la folie"

Stranglers
Provavelmente, a minha canção favorita. Desde sempre.

2007/06/05

Déjà Vu

Confrontada com a inevitabilidade de mais uma directa, destinada a repetir, esperançosamente, o mesmo trabalho que motivou a anterior saga de 30 horas, resolvi:
— Vou elogiar outro. Afinal, elogiei o T.G. a semana passada, posso fazer o mesmo a outra pessoa, já que a necessidade de me dedicar ao trabalho me provoca uma inexplicável vontade de fazer tudo menos o dito.
Pois bem, entretanto passei pelo Diário e fiquei com uma irresistível vontade de comer grelos. Só mesmo para conseguir ver este ritmo de uma outra perspectiva.

Outros bloggers dignos de mérito: vão ter que ficar à espera.

2007/05/29

pspsssspss....

E pronto, são 12:36 e ainda aqui estou. De olho aberto, mas pouco.

P.P.S.

Porra! São oito da manhã e continuo a não ver o fim à coisa! Nem à coisa nem sequer, daqui a pouco, a nada de nada.

P.S.

Desculpem qualquer coisinha. São quase 4 da manhã, ainda estou a trabalhar e não vejo o fim à coisa. Aliás, não estou a trabalhar; estou, como de costume, à espera que os outros se despachem para poder continuar com o meu. Fuck!

Obrigada

Chateiam-me os blogues que não têm disponível nenhum e-mail de contacto, conveniente anónimo. É que eu queria (e desde há muito tempo que quero) de elogiar o T.G. do Diário e não consigo (sem ter que o fazer aqui, tão declaradamente, porque soa-me sempre a graxa). Era mesmo só para o elogio, sem pretensões de retribuição, nem a nível de agradecimento, nem de reconhecimento das parcas qualidades do meu semi-abandonado blogue. Era só mesmo para reconhecer que me parto a rir com o humor descabido, chauvinista, machista, infinitamente negro da criatura. E, também, para lhe contar que, para me fazer rir mais que ele, só o comentário de uma barbie que eu conheço, génio possuidor do grau de inteligência concedida a tal tipo de boneca (a qual não lhe permite ir além do significado imediato de uma palavra) quando li em voz alta algumas frases do seu último post: “Chego de um casamento. Com mais dois quilos de adiposidade e uma depressão que, para ser sanada, obrigará a outros tantos em cima. É que isto de ver gente nova, casada, fértil, próspera, feliz e com vida sexual obriga-me a pôr a minha vida em perspectiva. E não há nada mais deprimente do que me ver em perspectiva. Até porque a minha perspectiva é esta: a minha vida é uma merda. Sou infeliz e sem vida sexual (pleonasmo).” O mesmo foi: — E achas graça a isso? Eu não gostava nada de ouvir a minha filha dizer, aos vinte e tal anos, que tem uma vida sexual infeliz. Pessoas como essa só trazem o mal ao de cima.”
A mim, não.

São oito e meia da manhã e começo a chegar à conclusão de que deve haver aqui coisas que não fazem sentido. Mas que se lixe. O T.G. não passa a ser ainda mais misógino (que deve ser o verdadeiro problema dele) só por causa disto. E eu também já estou habituada à crítica. Mesmo a destrutiva.

2007/05/22

Inconveniências

Há por aí muitas coisas intragáveis, repugnantes mesmo, mas não deve haver nada tão difícil de engolir como uma verdade inconveniente. É que fica mesmo ali, atravessadinha na garganta. Que dor!

2007/05/02

Cadelices

Voltando às dentadas nas canelas, há essencialmente duas formas de enfrentarmos as nossas fraquezas: tentar ultrapassá-las, aprendendo, limando as arestas e evoluindo, ou dissimulando-as através de subterfúgios que, bem utilizados, diminuem a sua relevância. Sinceramente, prefiro a primeira e, se me queixo, é porque alguém usou da segunda e ainda tenho marcas dos dentinhos.

Cuidado com o cão II

Isto de se passar o tempo a pensar no cão com quem nos deitamos tem os seus inconvenientes: esquecemo-nos muitas vezes das cadelas que nos rodeiam e que, à mínima oportunidade, nos mordem as canelas. Arre!

Foto daqui.

2007/04/12

Comidinha

De uma vez por todas, espero que quem diz "fazer o comer" ou "o comer está na mesa", perceba que, se se dissesse mesmo assim, o seguinte não seria possível, podendo levar inclusivamente a desavenças familiares graves:
“Quando o Pai de manhã ouviu a filha vomitar, ficou preocupado e perguntou à mulher:
— Foi comida?
— Foi, mas vai casar...”
Exemplificando:
“Quando o Pai de manhã ouviu a filha vomitar, ficou preocupado e perguntou à mulher:
— Foi comer?
— Não, foi vomitar, estúpido.”

2007/04/11

Pobreza

Pior que um pobre de espírito é um pobre pobre de espírito, que não percebe que enquanto cumprir na perfeição o seu papel de lacaio está no caminho certo para continuar a ser apenas isso. E só isso.

2007/03/20

Estou mas não estou

Ando arredada, pois. Ando na lua, também, e de vez em quando passo pela terra, num desvario ansioso de voltar a entrar em órbita. São assim os meus dias, distantes das noites em que me perco num sonho real. Mas, entre muitas outras, há uma coisa extremamente boa: as afrontas do dia-a-dia já não me fazem mossa. E vou vivendo assim, de sorriso em sorriso, de palavra em palavra. E é bom.

2007/03/05

Cuidado com o cão

Em português costuma dizer-se que quem se mete com miúdos acorda mijado (o que não deixa de ser verdade), mas novamente os ingleses presenteiam-nos com uma expressão muito mais abrangente e exactamente com o mesmo significado: If you lie down with dogs, you'll rise up with fleas*. Ou seja, é preciso escolher bem o cão com quem nos deitamos.

*Se te deitares com cães, acordas com pulgas.
Foto daqui.

2007/02/19

E é só isto que importa

E em resposta a um desafio da Hipatia, aqui fica um dos meus posts preferidos, até porque a primavera tarda e eu ainda não tenho o que quero:

Era só isso

Era só isso. Um atrasar de passo, que os teus são mais longos que os meus, um parares ao pé de mim, exactamente ali, naquela esquina. E, sem eu te dizer, perceberes porquê. Tu saberes que eu não resisto ao apelo da terra, tu entenderes que eu preciso de parar para absorver as coisas, para as tornar minhas. Saberes que preciso de ir devagar para levar os cheiros, as cores, os gestos, os pormenores comigo. Tu saberes que me demoro a olhar a sombra do meu pé antes de o pousar no chão, a contar com os olhos os tufos de flores rebeldes no relvado cuidado do jardim, elas que se recusam a não florir ali, e que são como eu, que não me resigno. Tu saberes qual é a minha cor de céu preferida e que é aquela do fim do dia, um azul meio turquesa, meio petróleo, e Vénus a piscar para mim, às vezes a lua já a espreitar. Tu saberes que gosto do teu braço à minha volta, e de encostar a cabeça a ti enquanto caminhamos. E tu parares comigo ali, naquela esquina, de uma rua qualquer, a sentir o primeiro cheiro da primavera num fim de tarde de Março, para o levarmos connosco para casa. A nossa casa. Era só isso, era só isso que eu queria.

2007/02/15

É hoje, é hoje.

Nas nossas vidas, precisamos de pessoas assim. Que dão, que compreendem, que estão, que nos recebem sempre de braços abertos, mesmo que seja num só telefonema. Que são simples, embora se afirmem complicadas. Que sabem quais são os valores essenciais e não precisam de se perder em teorias alheias para encontrar o sentido da vida. Que vivem, e pronto. Que não nos exigem mais do que somos para estarem do nosso lado, ao nosso lado.
Ela faz anos hoje e não resisto, mesmo antes de falar com ela, a elogiá-la publicamente. Parabéns, môri!

2007/02/09

Boooooommmmmmmm!

Querem relógios ou água? Lisa ou com gás? Muito ou pouco carbonatada? É que depois de horas sem fim a ler e escrever sobre medicamentos, águas, índices glicémicos e tantas outras coisas (de que o cansaço mental já não me deixa lembrar), eu estou quase sem capacidade para vir aqui "postar".
A verdade é que ando cheia de ideias, mas não consigo pô-las no papel. De projectos cujos primeiros passos não consigo sequer pensar em começar a pôr em prática. De promessas à minha sobrinha que não arranjo tempo para cumprir. De fins de semana que também são princípios porque se começa a trabalhar logo ao domingo. Ou se tem só este para descansar. (Já no próximo, é deitar a água fora e acabar de dar corda ao relógio, num tiquetaque infernal de bomba prestes a explodir.)
Ai querem que eu escreva? Eu também quero. E também quero não trabalhar todos os dias das 10 às 20:30 ou mais sem receber mais por isso. Ter fins de semana completos. A certeza de que posso combinar alguma coisa e cumprir, mesmo se não chegar à hora exacta. Ter a cabeça arejada para me poder divertir e pensar em mim. Para tratar de mim. Para gostar de mim – porque neste momento começo a não gostar de uma pessoa que come e cala, que aceita tudo sem questionar, que assiste a injustiças umas atrás das outras sem reagir e que deixa o tempo correr sem perceber que ele passa. E tempo, novamente, lembra-me relógios. Que são já no próximo domingo. Para segunda. Tiquetaque. Tiquetaque. Tiquetaque. Tiquetaque. Até rebentar.
Boooooommmmmmmm!

Foto daqui.

2007/02/01

Ausência

E ela diz que eu tenho andado esquiva. Com uma certa razão, porque as minhas passagens por aqui têm sido curtas ou, então, aproveitamentos de sobras à laia de roupa velha em dia de Natal. Um dos motivos é muito simples: o frio, que me afasta deste teclado até para conversar. Não aguento esta friagem (neste momento tenho as mãos a enregelar e o corpo começa a tremer-me de frio apesar das três camadas de roupa, que incluem uma camisola de malha polar), e até já houve quem assistisse a alguém de camisola de lã+pijama+manta enrolada num sofá dentro de uma casa num clima moderadíssimo por alturas da passagem de ano (mas que parece não se lembrar).
Outro motivo é o cansaço, que se deve não só ao excesso de trabalho (desde que vim de férias tive direito a um fim de semana completo para descansar, porque tive que trabalhar sábados e domingos depois de uma série de noitadas durante a semana) como também a uma anestesia geral*, que acaba por nos deixar igualmente exaustos.
Finalmente, os motivos de inspiração resumem-se a disparates tão grandes, tão grandes que seria patético e até talvez perigoso estar aqui a relatar o que me tem zurzido os ouvidos, já sem dizer que podia correr o risco de ter alguém a dizer que tenho um blogue que é só fel.
Enfim, quando as temperaturas amainarem, estarei de volta com mais regularidade. Até lá, vou tentar manter presença sempre que tal se justificar.
Entretanto, ando entretida** a pensar no presente que hei-de encomendar ao coelhinho da Páscoa, desta vez com mais tempo, porque depois da desilusão do Natal passado, está mais que provado que o senhor das barbas brancas e das renas não existe. Só existem designers que acham que tablóide quer dizer tabuleiro***.

*Nada de grave, está tudo bem, só não estou pronta para outra porque não me apetece mais nenhuma.
**Não é erro, é propositado.
*** Não resisti a uma pitadinha de veneno (ou o tal do fel).

2007/01/30

Repescado

E porque o frio, as circunstâncias e muitas outras coisas me têm afastado das palavras que por aqui costumo deixar, fui repescar um dos meus primeiros textos, dos idos de 2003.

O Verbo "Dever De"

Confrontada com exemplos intermináveis da forma como os portugueses usam a língua-mãe, esquecendo que a mãe é mesmo para respeitar, por muito galinha, chata, pespinenta, exigente e outras coisas que tais que possa ser, concedo-me a imodéstia de sugerir uma forma de conjugar o novíssimo verbo "Dever de". Assim sendo, proponho as seguintes formas para o presente do indicativo do mesmo:

Eu devo de ser doida
Tu deves de ser parvo
Ele deve de estar maluco
Nós devemos de ser idiotas
Vós deveis de ser uns asnos
Eles devem de ser uns broncos

Posto isto, aqui vai um post.