2006/02/25

Defeitos e Manias

A minha querida uxka, arrastada por um certo Zig, agarrou-se-me ao braço e levou-me com ela neste desafio de mostrar ao mundo quais são as minhas manias ou defeitos. E, como ela bem sabe, até porque na minha condição de “Touro” não resisto a um panito vermelho agitado em frente dos olhos, nunca digo que não a um desafio. Por isso, aqui vão eles:


Curiosidade
Há quem a considere um defeito, o que me tem prejudicado seriamente, mas eu não resisto a saber mais e mais, sobre tudo. Levam-me a mal esta forma de ser, mas garanto que todas as “informações” que colecciono avidamente servem apenas para aprender a vida como ela é.

Tiques
Sim, já tive vários. De roer as unhas a “catar” pontas de cabelos espigados, entre outros que não confesso, limito-me agora, e apenas em situações de nervosismo extremo, a enrolar madeixas de cabelo em volta de um dedo. Ininterruptamente, até ficar com dores nos braços.

Burrice
Detesto gente burra. Não aqueles que, por não terem aprendido, não sabem mesmo, mas aqueles que pretendem dar ares de saber e, no fundo, só dizem disparates. Detesto também aqueles que não querem aprender porque não estão para isso, ou porque haverá sempre alguém a quem perguntar.

Mentiras
Abomino mentiras, sejam elas de que cor forem. Ainda por cima, sinto que possuo um dom para apanhar em falso todos aqueles que mentem, até porque se esquecem que não é preciso andar a fazer perguntas para se descobrir a verdade. Bastar estar atento.

Falta de Civismo
Como a minha querida amiga, também eu detesto que se esqueçam de dizer obrigado, pedir por favor, pedir licença para passar ou entrar ou de pedir desculpa quando nos dão encontrões na rua. Aqui incluo também aqueles que, no trânsito, se armam em espertos furando filas, ultrapassando por onde não devem e colando-se à traseira do carro dos outros só para tentar mostrar que o deles é melhor.

Agora, a parte chata de me agarrar a outros 5 bracinhos para os trazer comigo neste desafio. Já troquei comentários com alguns, com outros nem por isso, mas regras são regras e eu gosto de as respeitar.

E os nomeados são:

anukis
Voz em Fuga
Filo Sofia
Silvia Sem Filtro
Tristes Tópicos

[Cada bloguista participante tem de enumerar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que o diferenciem do comum dos mortais. E, além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blog´s aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blog]

2006/02/14

Rabujenta, eu?

Eles dizem que sim, que eu sou, mas eu acho que não. Rabujenta, eu? A quem fazem levantar da cadeira, sair da frente do meu jogo de computador, para olhar para um trabalho que supostamente também é meu para ver se a outra pessoa não se esqueceu do acento no i? Ainda se me pedissem opinião sobre a cor ou sobre a forma… Nah, como eu não sou fashion victim ficam a pensar que não consigo olhar para um círculo e dizer que um quadrado ficava melhor porque contrasta com a forma do logótipo… E no fim, o que contam são os bonecos. Só pensam nas aparências… Já os meus pais me dizem o mesmo, que eu devia ir ao cabeleireiro mais vezes, usar um saltinho alto e um fatinho porque sou dra… (que não sou, sou só licenciada, não tenho dessas peneiras). Bah, e isso lá tem importância? Pronto, eu sei que uma roupinha janota ajuda, mas quem é que no seu perfeito juizo aguenta um dia inteiro de saltos? Eu sei que o carro até está à porta, e que mal chego me sento, mas não compreendo por que é que tenho que sofrer? Repararam, escrevi por que e não porque. Essa é outra. Eu escrevo separado e vem um esperto qualquer e junta. Depois eu digo para separarem outra vez, porque assim é que é correcto. E dizem-me que não, que o cliente quer assim, e pronto, façam lá a vontade ao freguês, mas olhem lá que eu não assino isso. Cambada de idiotas, só porque têm dinheiro podem fazer tudo o que querem. Conheço muita gentinha assim, a quem põem em pedestais por causa do dinheirinho. Eu não, ora essa, era bem o que me faltava. Abrem a boca e vê-se logo o que são. Há-dem, deiam-me, a gente fomos a Roma… Coisinhas mais lindas saídas de boquinhas pintadas com bâton Chanel… Eu cá não tenho manias, sou o que sou… O que mais me chateia é que me bajulem por causa do dra antes do nome no livro de cheques. É que eu nem soube de nada, assinei os papéis e pedi para me irem abrir a conta. Vai na volta, o esperto lá do Banco resolve mandar pôr o título no cheque, nos cartões, por aí fora. Às vezes dá jeito, mas ter que aturar o sr dos livros, a cada trimestre, a bater-me à porta e chamar-me dra para cá, dra para lá, não dá. Só lhe falta fazer-me uma vénia. Eu já lhe pedi inúmeras vezes, não me chame dra que eu não gosto, mas ele responde sim dra de cada vez que fala comigo, a gaguejar, o que ainda é mais irritante. Com isto tudo acabo por ter pena da criatura, e lá vai mais um livro a contribuir para o caos lá de casa. E se não gastasse tanto em livros já podia ter comprado uma mobília completa para o quarto, afinal ganho tão bem. Mas o que é que eles têm a ver com isso? Rabujenta, eu? Eles é que me fazem assim.

Este post foi escrito para participar num desafio proposto pelo Isto não é o da Joana, que pelos vistos não teve participantes que chegassem. Por isso, publico eu.

2006/02/10

Publicitária? Naaaah!

Até há pouco tempo eu pensava que era copy. Não podia haver melhor: pagarem-me para escrever, e darem-me os meios necessários para o poder fazer bem feito, a tempo e horas e com qualidade. Mas agora já não sei. De há uns anos para cá, e principalmente nos últimos tempos, os genes do passado atacaram-me e eu estou a começar a sentir-me na pele dos meus antepassados. Se não, vejamos:
· Há dias que passo a encher chouriços - dão-me as coisas, amasso bem amassadinho e produzo uma belíssima fornada de balelas, sem ter tempo para pensar decentemente ou concentrar-me. "Faz-me lá um headline para isto, ou escreve mais um e-mail a dizer que vem aí uma novidade", ouço frequentemente (o meu avô paterno era salsicheiro).
· Outros dias, no meio dos chouriços, aparecem também fogos para apagar – "Tens que fazer isto para hoje ao fim do dia", sendo que isto é dito depois da hora de almoço (o meu avô materno foi bombeiro).
· Uma vez por outra, e cada vez com mais frequência, o meu monitor em 3ª mão recusa-se a ligar-se de manhã e, como o técnico está a alimentar outros computadores de meados da década de 90 com balões de soro, eu tento uma vez e outra e lá ligo a maquineta (o meu avô materno também foi mecânico).
· Em vez de grandes campanhas, de coisas bem pensadas, está-se sempre a aviar os clientes, como eles querem, quando eles querem, porque eles querem (a minha mãe e avó materna tiveram uma mercearia).
· Os trabalhos passam de mão em mão, ou seja, de criativo em criativo, para ver quem é que consegue chegar a uma solução, e passa-se o tempo a remendar o que já está feito, até chegar a uma coisa mais ou menos (a minha mãe a minha tia foram costureiras).
· Finalmente, com isto tudo, passa-se o dia num insuportável clima de cortar à faca, ou melhor, a cutelo (o meu pai teve um talho).
Se isto não são os antepassados a chamarem por mim, então não sei o que será. Talvez a crise, que é desculpa para tudo.

2006/01/29

Atitude

Esta vem com o atraso de uma semana, mas eu gosto de pensar antes de falar e às vezes levo um tempo exagerado (muitas vezes, só fico a perder). Mas aqui vai.

Em Fevereiro do ano passado, se não me engano, na 2ª feira a seguir ao dia das eleições, os meus colegas de trabalho chegaram ao bar da empresa para o primeiro café da manhã, viraram-se para mim e disseram: "Então ó fascista, estás contente?! Perdeste!". Eu só respondi que até estava contente, porque finalmente os senhores da esquerda iam poder provar que eram melhores. Tinham tudo nas mãos, com uma maioria absoluta, e agora é que era ver o país começar a mudar para melhor. É o que estamos a ver, mas todos merecemos uma oportunidade.
Na semana passada, depois de ter passado todo o período de campanha eleitoral a ouvir críticas àquele que todos já sabíamos que ia ser o novo PR, a ser crucificada por defender aquele candidato, a ouvir disparates como "vai ser terrível se ele ganhar, porque vai fazer isto e aquilo" de quem não tem a mínima noção das funções de um PR, cheguei à empresa e... nada. Nem uma palavra. Nem um "Deves estar contente, ó fascista!". Durante uma semana inteira fiquei à espera de ouvir alguém comentar a vitória de um e a derrota de outros. Nada. Silêncio.
Gente engraçada, esta. Só dispara contra quem está desarmado.

Traição

“Arrumei os amores, é a primeira regra da vida – saber arquivá-los, entendê-los, contá-los, esquecê-los. Mas ninguém nos diz como se sobrevive ao murchar de um sentimento que não murcha. A amizade só se perde por traição – como a pátria. Num campo de batalha, num terreno de operações.”

Fazes-me falta, Inês Pedrosa

Num livro que estou a ler, deparei-me com uma afirmação que fala sobre a facilidade com que, por medo ou egoísmo, o verniz da camaradagem entre amigos desaparece. E é assim, realmente, que se descobre quem é e quem não é nosso amigo.
Os amigos não traem. Os amigos apoiam-nos quando estamos em baixo, incondicionalmente. Os amigos preocupam-se, perguntam, oferecem ajuda. Os amigos não saem a correr para nos acusar.
O medo, a insegurança, o egoísmo levam-nos a atitudes irracionais e a deitar cá para fora o que há de pior em nós. É o salve-se quem puder, passando por cima de tudo e de todos.
Na empresa em que trabalho, vive-se um ambiente de medo, de injustiça, de totalitarismo, de quase ditadura. Sussurros, portas fechadas, segredos são parte do dia-a-dia. No meio disso, não se admite que alguém possa pensar ou sofrer por alguma coisa que não tenha que ver com a empresa.
Sim, tudo indicava que eu estava desmotivada. Amei, arrisquei, perdi. E essa derrota levou-me a vontade de sorrir e trouxe-me o desejo de desistir de tudo. Quem me acusou não quis saber quantas lágrimas chorei, quantas noites de sono foram interrompidas pela saudade. A vaidade, o egoísmo, o medo sobrepuseram-se a qualquer outro sentimento.
Agora que, depois de estalado, o verniz desapareceu completamente, é mais fácil encarar essa pessoa de frente. De quase amigas, somos apenas colegas, suportando-nos enquanto tal. Perdoo, sim, porque se o não fizesse, esse sentimento me envenenaria cada dia. Mas nunca deixarei de sentir que fui traída.

2006/01/25

Dias de raiva

Não estou desaparecida. Estou viva, ainda, movo-me, ou melhor, arrasto-me para fora de casa todos os dias, respiro, muitas das vezes fundo para calar o que me apetece dizer. Também ainda me rio, algumas vezes, e sorrio sempre que há alguma coisa que me faz feliz. Mas não consigo escrever, ou pelo menos, ser racional no que escrevo, pois todas as injustiças que tenho presenciado, o ambiente de ditadura em que trabalho actualmente, sempre com a desculpa da crise, não deixam que seja moderada. Se escrevesse agora, teria que espetar facas, descobrir carecas, denunciar quase-crimes. E, também eu, com a desculpa da crise, tenho que me calar.
Aqui fica, portanto, a razão do meu silêncio. Melhores dias virão. Até já.

2006/01/05

Idade

"How old would you be if you didn't know how old you are?"
Satchel Paige

À falta de mais, hoje é dia de citações, e esta tem tudo que ver com alguns relacionamentos que tenho estabelecido ultimamente. Será que a idade é mesmo importante? Aqui há tempos, um colega meu de quem me tornei amiga disse que nunca pensou que uma pessoa da minha idade, 10 anos mais velha que ele, alinhasse em certas coisas como alinho. Novamente, as aparências, os preconceitos, os filtros que nos impõem desde que nascemos, são postos em causa. Ainda bem, que já é tempo.

Eu também

A agitação dos meus dias nesta primeira semana de 2006 tem levado a minha inspiração para outros caminhos. Por isso, aqui vai uma citação do mestre, que não posso deixar guardada na gaveta.

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Fernando Pessoa

2005/12/31

Happy New Year

Aqui está ele, novinho em folha e pronto a usar. Não é nada de mais, apenas outro ano, outra oportunidade para escrevermos mais um pouco das nossas vidas. O conteúdo depende apenas de cada um e não de sortes, azares, astrologias, deuses maiores e menores. É nossa a mão que escreve, não outra qualquer. Assim, e porque não sabemos quantas folhas ainda nos restam, temos que aproveitar cada uma delas ao máximo. Por isso, vamos lá fazer o melhor que pudermos. Feliz Ano Novo a todos.

2005/12/27

Balanço

2005 já só dura pouco mais de 3 de dias e 2006 está à porta. Chegou, portanto, a altura de fazer um pequeno balanço do ano que decidi que devia ser de viragem. Aqui vai:

Prós:

· Resolvi acreditar que valho por mim e não pelo que aparento.
· Descobri que não tenho que ter medo de afirmar os meus gostos, as minhas tendências políticas, os meus defeitos e as minhas fraquezas, e que não sou obrigada a seguir qualquer rebanho.
· Comecei um projecto fantástico, que acredito que irá mudar a minha vida totalmente. Obrigada por seguires comigo neste caminho, MP.
· Redescobri a alegria de estar apaixonada, nem que seja só por um sonho, e o que esse estado é capaz de fazer por mim. Sorri muito, senti-me dona do mundo, e nada nem ninguém me podem tirar essa felicidade do coração. No fim, chorei, mas ganhei um amigo e a consciência de que esse estado é essencial para eu ser feliz.
· Em Julho, dei uma hipótese à felicidade e descobri que ela está mesmo só nas pequenas coisas. Obrigada, J.
· Descobri que os melhores amigos não têm que ser aqueles que estão connosco todos os dias, mas aqueles que nos têm no coração, mesmo vivendo do outro lado do oceano. Obrigada, P.
· Conheci um universo de coisas bonitas e inspiradoras nos blogs que visito regularmente.
· Conheci novos amigos e reencontrei alguns antigos.
· Perdi quase 10 kg, sem esforço e sem sacrifício, e continuo no bom caminho.
· Dediquei-me mais às minhas palavras, e estou a descobrir um novo rumo.
· Dediquei-me mais a mim e estou a descobrir que sou capaz de tudo.

Contras:

· Desiludi-me com pessoas que conheço há anos e que considerava amigas.
· Descobri que a ambição e a vaidade acabam com qualquer amizade.
· Descobri, infelizmente, que a hipocrisia ainda move mundos.
· Percebi, que cada vez menos, nos preocupamos com os outros sentem e sim com o que os outros poderão pensar de nós.
· Descobri que há cada vez menos capacidade de ver para além do que é imediato, porque não temos tempo e porque não estamos para isso.
· Descobri que há pessoas que pensam que existem graus de infelicidade, medidos por acontecimentos mais ou menos graves.
· Descobri, de acordo com as palavras de alguém, que só poderei contar comigo própria. Seja.

Contas feitas, e dado os volumes de prós e de contras, parece que afinal 2005 não foi mau de todo. Venha outro.

2005/12/22

Merry Christmas

Porque é dele que se trata no próximo dia 25, e não de presentes, pais natais, renas, trenós, chaminés e afins, aqui ficam os meus desejos de Feliz Natal e de muita paz a todos.

(imagem do Menino Jesus usada na Ilha da Madeira na época do Natal, em substituição do tradicional presépio)

2005/12/16

Só para mostrar o que queria dizer





Apesar de ao natural também não ser grande coisa, este senhor seria igualmente um susto se aparecesse assim num cartaz. Só para não me acusarem de ser "biased".

2005/12/15

Umas quantas para explicar a anterior

O primeiro comentário foi, vindo da Inês M., o mesmo de sempre: "Lá estás tu a arranjar coisas contra a esquerda", ou algo semelhante. Como sempre, as pessoas falam sem saber de quê, a ideia feita que têm de nós é a que as leva a formar a opinião. Mas isso fica para outra altura.

A razão do meu comentário prende-se, muito simplesmente, com uma questão de estética. Desde o primeiro dia em que dei de caras com este outdoor, a caminho do trabalho, que me ficou a apetecer dizer mal. Não do candidato, apesar de nunca ter gostado da criatura (ele há coisas que não se explicam, mas algo me diz que ele não é de fiar), mas da imagem em si.

Olhem lá bem para ele. O senhor que pretende ter a juventude necessária para ser o próximo Presidente da República durante 5 anos aparece-nos aqui como uma sombra. Reparem na boca, que o grafismo deforma a ponto de fazer lembrar um trejeito causado por uma trombose. Os olhos estão igualmente deformados, tortos, e não se consegue entender o que o olhar pretende transmitir.

A seguir vem a mensagem, moderninha, como convém. A brincadeira de copy com alusão ao moderno mp3. Será que o hino da campanha já está disponível neste formato? Ou irão distribuir aparelhinhos a quem chegar primeiro à sede da campanha? Será que os jovens de hoje só se interessam mesmo por isto, para que os responsáveis pela campanha tenham optado por acenar com tal objecto de desejo tal como se acena uma cenoura a um burro? Não tarda nada estão a dizer que Mário (i)pod. Até mais que três vezes.

É com este rosto, e com esta alusão ao mais recente formato musical, favorito da piratagem discográfica, que se pretendem conquistar os votos dos jovens de 18 anos num vetusto senhor de 81? Poupem-me! Ainda bem que tenho quase 40 e não vou na conversa.

(Desta vez, sou eu que estou a julgar pela aparência. Espero conseguir perdoar-me um dia.)

Só uma palavra





CREEPY!





(ou em bom português, assustador).

2005/12/14

Perdida


Deste-me o rumo que eu procurava. Deste-me o calor da tua pele, mataste-me a sede de corpo que o meu corpo tinha, levaste-me a acreditar que nada tem fim quando somos felizes. Vivemos aqueles dias, que pareceram eternos, saciando-nos de nós e saciando o desejo que nos assolava a alma. Esquecemos o mundo, confiámos que aquele vento que nos empurrava seria sempre uma brisa amena. E afinal...
Nunca entendi, e nunca entenderei o que se passou. Teremos esgotado a paixão? Terás tu esgotado o desejo, saciada a fome? Que te fiz eu? Que me fizeste? De onde veio o ciclone que agitou o leito do nosso mar? Rasgaram-se as velas, quebrou-se-me a alma. Partiu-se-me a vida ao meio, esqueci o antes de ti e agora só vivo o depois, sem ti e sem rumo. Só sei que nenhuma brisa te trará de volta, e que, perdida no meio deste mar branco, ninguém me encontrará. Nem eu me encontrarei.
Sem ti, meu astrolábio de desdita, minha caravela de esperança, mais perdida fico, mais perdida estou.

Eis a tua história, Hipatia, inspirada num desenho do Gaivina.

2005/11/29

Vá-se lá ser copy de uma freguesia destas.

Quando comecei a trabalhar em publicidade, há dezoito anos, como secretária, dei de caras com um mundo desconhecido que me fascinou. Cedo se tornou difícil manter-me sossegada no meu lugar no Dep. de Contacto, o lado sério e responsável da Agência, para vezes sem fim me irem buscar pelas orelhas ao Dep. Criativo, decididamente com muito mais graça. Tanto andei que fui considerada incapaz para as funções e despachada, em fim de carreira naquela empresa, para o dito Criativo (onde fiquei mais um ano e meio, contrariando as piores previsões).

O que eles foram fazer. E eu também, porque mal sabia o que estava para vir. Dali até chegar a copy, foi um processo que levou apenas cerca de 4 anos e duas outras agências. Comecei na altura do boom da publicidade, em que a agência (a terceira, neste caso) ditava as regras junto dos clientes e era um modelo a seguir pelas restantes do mercado. E escusado será dizer que, no auge económico da época, tudo era possível. Orçamentos milionários, ordenados fabulosos, campanhas mirabolantes. E tudo corria bem, porque havia dinheiro e as campanhas traziam retorno aos clientes.

O dinheiro implicava, igualmente, bons profissionais nas agências, escolhidos a dedo, e bons profissionais do lado do cliente. Tudo corria sobre rodas. Os briefings eram claros, concisos e directos ao assunto. Queremos vender X, da forma Y, com base na estratégia Z. E lá íamos nós à procura da melhor ideia para responder ao pedido. Com bases concretas para trabalharmos, que o trabalho era muito e não permitia perdas de tempo. O trabalho saía, era, em geral, aprovado com umas poucas alterações, finalizado e entregue.

Em tempos de crise como o actual, parece ter-se perdido, a par com o dinheiro, o respeito pelo trabalho da agência. O cliente quer, pode e manda, e fá-lo a qualquer hora do dia, sem se preocupar se há ou não outros trabalhos em curso de outros clientes. As agências, sob a constante ameaça de perderem mais um cliente, tudo fazem para o manter, o que resulta no caos actual.

O cliente sabe que ver vender X, mas também quer vender A e B ao mesmo tempo para poupar dinheiro, sendo que a forma de vender X entra em confronto directo com as formas de vender A e B, pelo que o esforço para encontrar uma ideia que consiga reunir todas elas é elevado ao cubo. E tudo isto sempre para ontem, porque só nos lembrámos agora de que temos que ter isto no ar para a semana.

Sempre de camisola vestida, porque afinal são os clientes que nos pagam ao fim do mês, lá fazemos das tripas coração e rins e fígado, rebentando com o estômago pelo caminho, e cumprimos o prazo. O trabalho vai ao cliente e volta, mas não como antigamente. “Afinal havia outra” é uma constante, com o briefing a mudar radicalmente, já para não falar do mudem lá a palavra porque esta não soa bem à senhora do dep. técnico que estava na reunião, ou o nome do produto porque não está parecido com o da concorrência, apesar de não existirem muito mais alternativas. Tudo isto com a agravante de o prazo ter sido reduzido de três dias para um.

O processo repete-se e desta vez volta, ainda em fase de maquete, para mudar a cor de fundo das peças todas, porque é vermelho e o cliente é do FCP e embirra, já agora ponham rosa, que não fica bem com o resto (mas também com os computadores é fácil e rápido mudar), e vejam lá não se esqueçam dos ponto e vírgula no fim dos bullets… um sem fim de alterações que têm que voltar ao cliente para serem de novo aprovadas.

Criativos, accounts e produtores são levados à exaustão, entre reuniões e pré-reuniões, e briefings, re-briefings e orçamentações, enquanto o omnipotente cliente (com algumas excepções) vai olhando para o dinheiro que gasta com a agência e pensando que, já que pago, eles têm que fazer o que eu quero. Como eu quero.

Vá-se lá ser copy de uma freguesia destas.

2005/11/21

Um estranho sentido de justiça

E então disse-me que não era justo eu cumprir a lei. Uma lei que eu não tinha exigido, sobre a qual não me tinha informado, que me conferia um direito diferente do direito dos outros. Simplesmente, não era justo.

Há já muito tempo que esta pessoa, com quem convivo há algum tempo e de quem já pensei ser amiga, me confronta com coisas assim. Chegou a dizer-me, em certa altura, que não era justo eu receber devolução de IRS apenas porque sabia preencher os impressos. Não era justo para quem não os sabia preencher.

Mas se fosse só ela, estávamos nós bem. Hoje em dia, a justiça é vista assim. Se tu tens, eu também tenho que ter, mesmo que não tenha direito. E se eu não tenho, tu também não podes ter. É por isso que se rouba a torto e a direito para comprar ténis, calças de marca e telemóveis última geração. É por isso que se risca o carro topo de gama do vizinho. É por isso que as pessoas se endividam para ir de férias para o mesmo sítio que o colega de trabalho, ou então para comprar um qualquer objecto que seja digno de inveja, com o qual não se pode andar à vontade porque foi muito caro. É por isso que se critica quem nos faz sombra por ser mais eficiente e popular. É por isso que apostamos na imagem e na simpatia como meio de subir na vida, dissimulando as nossas reais dificuldades.

A minha justiça não se obtém a qualquer custo. Faz-se por merecê-la, lutando, cumprindo e, fundamentalmente, sendo honesto. A minha justiça impede-me de lhe responder que não é justo eu ter conseguido o que tenho à minha própria custa, sem cunhas, sem ajudas, sem qualquer tipo de empurrão. Que não é justo eu chegar a casa e não ter ninguém para me receber. Que não é justo eu não poder contar com ninguém. Que não é justo faltar-me tanto do que me faz falta, e que nada tem a ver com dinheiro.

Que a vida não é justa, todos nós sabemos. Todos deveríamos poder ser infinitamente felizes, mas nunca conseguimos, porque enquanto olhamos para a vida dos outros, nos esquecemos de avaliar a nossa e tudo o que ela tem de bom.

Depois de escrever isto, passei por acaso pelo Charquinho e dei com A Posta Num Pecado Mortal, que, a meu ver, tem tudo a ver.

2005/11/18

Lazy Bitch I Am

You scored as Sloth.

Sloth

63%

Pride

50%

Lust

50%

Gluttony

38%

Greed

25%

Envy

19%

Wrath

13%

Seven deadly sins
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Ah pois é, o resultado do meu teste de pecados capitais foi mesmo a preguiça. Eu já desconfiava, mas preferia pensar que era "lust" que, se formos a ver, também não está nada mal na classificação. E afinal, quem é que quer ir para o céu?

2005/11/12

Fresquíssimas


Qual é a primeira reacção a um nome destes para um estabelecimento? Tirasse-se o talho e as ilustrações, o que se poderia pensar?

Pois, nem vale a pena dizer. À excepção da proprietária, que terá todo o orgulho do mundo no seu nome, todos associamos Bagina e Carnes Frescas a outro tipo de negócio. É a tal história da língua portuguesa.

Foto tirada pela P.Madeira em Portalegre, no dia mais quente de 2004, 45°C para onde quer que nos virássemos. Valeu-nos a frescura da imagem.

2005/11/05

Dear God - III

Às vezes, complicamos tanto que nos esquecemos das pequenas coisas simples que fazem parte do nosso dia a dia. Um agrafador, uma caneta, a água que corre da torneira, a electricidade que nos permite estar aqui... tomamos tudo como garantido, a não ser quando nos faltam. O grave é que o mesmo acontece com as pessoas que nos rodeiam – estão lá e pensamos que estarão para sempre. Não mostramos que gostamos delas, porque julgamos que já mostrámos isso mais que uma vez, não telefonamos porque temos mais que fazer, não nos interessamos porque pensamos que já as conhecemos. E desistimos delas quando não estão de pleno acordo connosco. Sem uma palavra.

Hoje, quando comentava, com alguém que conheço há muitos anos, a crescente indiferença pelos outros, responderam-me que me habituasse à ideia de que só poderei contar mesmo comigo. Enfim, seja. Resta-me o consolo de poder sempre contar com um agrafador que a qualquer altura, e sem dor, ressentimento ou discussão, pode ser substituído por um novo e melhor. E também com alguns amigos.