2008/08/06

A propósito,

elas continuam a florir lá em casa. Afinal, eu costumo cumprir o que prometo e tu, tu tiveste o azar (ou a sorte) de ser o primeiro gajo que alguma vez me ofereceu flores. Mesmo sem ser da forma mais habitual.
Foto daqui.

Ainda

bem que os talentos não se esgotam e que todos os dias há músicas novas para eu ouvir e gostar. Assim, é mais fácil conseguir pôr de parte, só por uns tempos, aquelas que ouvimos juntos tantas vezes (e que, às vezes, ainda me fazem chorar, mas outras já me fazem sorrir).
Foto daqui.

2008/08/05

A verdade

do vinho é que o vinagre nunca apanhou moscas. Nem serve para beber.
Foto daqui.

In the name of love

Às vezes tenho a tentação de ir buscar, ao fundo do baú onde o guardei, aquele orgulho que sempre me protegeu da dor. Usá-lo para me armar em forte, fingir que não estou magoada, que não sou frágil como os demais. Que aguento tudo e que me é fácil erguer de novo a cabeça e prosseguir. Seria muito mais simples acusar-te a ti de me teres enganado, de seres um idiota como qualquer outro. Seria mais fácil arranjar uma série interminável de substitutos provisórios que preenchessem o vazio que deixaste, para te provar que estavas enganado e que ainda há quem me queira. Entregar-me à angústia e às noites em claro, maldizendo este mundo injusto em torrentes de azedume. Achar que tu, e todos os outros, estão errados, que todo este mundo está podre, só porque não me amas como te amo.
E, todavia, não cedo. Não cedo porque quero guardar para sempre a pessoa em que me tornei só por te amar. E de quem gosto tanto.

2008/08/04

Defeitos

Porque eu lhe prometi que dizia, assim de caras, sem rodeios e sem medos, até porque não posso deixar de concordar que eles vêm todos com defeito (também se fossem perfeitinhos, perfeitinhos, eram bonecos sem vida e sem graça nenhuma e nós ficávamos sem arestas para limar e motivos para criticar), "há qualquer coisa de muito errado nos homens".

Conselho

Depois de ter visto este vídeo pela enésima vez, e de me recordar sempre de um dos úteis conselhos nele enumerados – "não leias revistas de moda, apenas te farão sentir feia", apetece-me acrescentar mais um, que vem mesmo a propósito para quem não tem planos de férias nem grandes perspectivas para as mesmas: "não leias revistas de viagens, apenas te farão sentir miserável".

Perfeição

Eu queria ter posto aqui a fotografia perfeita da esplanada perfeita onde me apeteceria ir acabar o dia de forma perfeita. Mas não encontrei, seja porque não existe, seja porque a existir a sua perfeição depende do momento, da companhia, de tantas coisas simples e complexas. E, também, qual é o momento perfeito que interrompemos para ir a correr procurar o ângulo perfeito debaixo da luz perfeita de máquina fotográfica na mão? Nah, deixo-vos ficar com a vossa própria imagem do fim de dia perfeito. Afinal, há coisas que são muito pessoais.

2008/08/01

Wishful Thinking

Agosto é uma piscina de água fresca e não fazer mais nada todos os dias.
I wish, I wish.
Foto daqui.

Age-Less

Citando um amigo que citou Mark Twain para comentar o post de outro amigo sobre "Cotas", “age is an issue of mind over matter: if you don’t mind, it doesn’t matter".
Foto daqui.

2008/07/31

Tudo o que é de mais

enjoa. Ou não. Apesar de um abuso poder ter consequências menos agradáveis, como passar um domingo de rastos no sofá (pronto, a ressacar, eu confesso), há coisas de que nunca nos fartamos. É por isso que já tenho as limas lá em casa. Só faltam os convidados. E uma semana para ir de férias.

Foto daqui.

Sushi, baby, sushi

Já não me lembro de quando foi a primeira vez, mas ainda nem sequer era moda. Foi no Bairro, na Rua da Rosa, sentada no chão como manda a tradição. Confesso que na altura só gostei mesmo das lulas, finíssimas e com um molho divinal que disfarçava qualquer aroma mais intenso a mar. Mais tarde, nova tentativa e nova constatação de que não gostava mesmo. Solução: optar pelos pratos cozinhados e tentar evitar perceber que os vizinhos do lado estavam a engolir fatias de peixe cru.
Mas o tempo é assim, e a insistência acaba por compensar. Há dois anos, mais ou menos, no aniversário de uma amiga, a alternativa ao sushi era... sushi. E foi aí que me apaixonei por estes rolinhos de arroz gelatinoso e avinagrado, recheados com peixe cru ou com vegetais e enrolados em pestilentas algas verdes. Que se mergulham em molho de soja e temperam com wasabi, de fazer trepar os incautos pelas paredes. Cujo sabor se vai cortando com pickles de sabonete cor-de-rosa, ou gengibre para as pessoas normais.
Hoje, ao jantar, para compensar o abuso de polvo bem português do almoço, vou-me vingar no japonês, regado com algum sake e uma grande dose de boa conversa. O Verão dá cabo de mim.
Foto daqui.

O Verão

dá cabo de nós. O Verão, ou o cheiro a férias, que não tardam a começar. Estou a gostar deste período pré-descanso, em que aproveito para me cansar ainda mais e conseguir assim que os dias inúteis me saibam melhor. O pior... o pior é o resto.

2008/07/30

Traveling light

Não sei viajar com pouca bagagem. Nunca consigo decidir o que é supérfluo e o que não é, e acabo por levar atrás de mim uma mala pesadíssima para onde quer que vá.
Por um lado, deve ter que ver com o nunca fazer planos, ou nunca ter feito. Na solução de recurso que são sempre as minhas férias, acabo por ir por arrasto e ter que seguir os planos dos outros e, por isso, há que ir preparada para qualquer situação.
Por outro lado, tem que ver com aquele ligeiro sentimento de perda que desde sempre se apodera de mim algum tempo antes da partida, que me faz sentir saudades ainda antes de sair a porta. E então, perco o meu tempo a despedir-me do que é meu, para deixar a certeza de que também voltarei, e a escolher alguns objectos eleitos para me acompanharem.
Desta vez, terei que deixar a bagagem mais importante para trás ou não terei tranquilidade. Custou-me decidir isto tanto quanto das outras vezes, ou até ainda mais, porque não tenho qualquer certeza do que deixo, muito menos do que encontrarei quando voltar, na prateleira onde o arrumei.
Desta vez, levo comigo um imenso vazio.
Foto daqui.

2008/07/29

Onde

é que eu vou este ano? Onde me levam os dias inúteis de férias, já que os de trabalho são úteis? Daqui a pouco mais de 8 desses dias, deixarei para trás a rotina dos dias de um trabalho que nada tem de rotineiro para sair por aí, num caminho que não inclui as cidades que ainda não conheci, uma viagem por um país encantado ou a semana ao sol banhada por refrescantes e animadoras caipirinhas. Há-de me valer o reviver de bons tempos em boa companhia. Hão-de valer-me os meus livros e a minha máquina fotográfica. E hão-de valer-me os sonhos que sei que um dia realizarei.
Foto daqui.

2008/07/28

Flowing

Ontem aprendi que o amor é como um rio. Temos que o deixar fluir, compreender que nós somos pedras que rolam no seu curso, seja este calmo ou tortuoso, e que, com o passar do tempo, vamos ficando redondas, sem arestas, e cada vez mais parecidas. E, no entanto, como descobrir, no meio das pedras todas, aquela que fará connosco a travessia até ao mar? E, se a descobrimos, e ela fica pelo caminho ou, ainda, decide mudar de rumo? E eu, seixo que me moldei a outro seixo, num curto percurso apressado, que faço eu sozinha e desgastada? Como me poderei moldar a outro se já nada tenho para limar?

Foto daqui.

2008/07/25

Inside

"Não podes fechar a tua porta àquilo que já entrou."
Graham Swift, The Light of Day

Deve ser por isso que o amor que te guardo nunca mais sairá de mim.

"You can't lock your door against what's already inside
"
Foto daqui.

2008/07/22

If in doubt


“A coward is incapable of exhibiting love; it is the prerogative of the brave.”
Gandhi

1) Se tiveres dúvidas, ama.
2) "Um cobarde é incapaz de exibir amor; essa é uma prerogativa dos corajosos."

2008/07/21

Ricochete

Segundo Buddha, “Agarrarmo-nos à ira é como pegar num pedaço de carvão em brasa com a intenção de o atirar a alguém; somos nós que nos queimamos.” Que é como quem diz, quando se está de mal com alguém, o melhor a fazer é atirar amor, pois se fizer ricochete, não nos magoará ao atingir-nos. Que é como quem diz, ou estou a ficar mole, ou deve ser da idade.
Foto daqui.

2008/07/17

Não receies

Não temas. Escrever sobre o amor que senti (e parte de mim, a que te escreve, ainda sente) foi o melhor que me pudeste deixar. Não receies. Nunca direi o teu nome (nunca disseste o meu), como nunca o disse enquanto o rodeava com outras palavras (por não querer dizer aquele que não é o teu). Não temas. Não são loucura ou obsessão estas palavras. São saudade e melancolia, ternura e uma vida nova todos os dias, desde que te foste. Se a incapacidade física de me amares suplanta o que sei que sentiste, fica onde estás. Fica aí e eu aqui, a registar diariamente o meu amor por ti que é tão só o meu amor por mim. Não receies. Não me aproximarei mais que as minhas palavras.

2008/07/16

Vazio

"La douleur, c'est le vide."
Jean-Paul Sartre

E a dúvida, a ausência, o silêncio. A recusa, a negação. A perda. Sobretudo a perda.

"A dor é o vazio."