2008/07/16

Move On

Ontem, uma pessoa muito importante para mim, dizia-me: “… parece que estamos condenados a não saber bem porquê um número de coisas.” E isso deixou-me a pensar se há sentido em tentar descobrir as verdadeiras razões ou se devemos simplesmente esquecer e (excuse my French) move on. Mesmo que leve a bagagem toda atrás.

2008/07/15

Candlelit Dinner

Hmmm.. uma surpresa, ontem, ao chegar a casa. À porta, à minha espera. A notícia. Hoje vai ser diferente. Subir as escadas, degrau a degrau, depressa, para não perder mais tempo. Enfiar-me na cozinha, a fome e a ânsia, juntas. Entretanto, encher a casa de velas, para o ambiente. Uma olhada ao fogão, enquanto se põe a mesa e se abre o vinho, para ir bebendo enquanto se cozinha. Um último telefonema.
– Estou ocupada. Hoje é à luz de velas. Sim, velas.
Do outro lado, a pergunta:
— É com o…?
E eu, com uma gargalhada:
— Não, não. Isso queria eu. É só comigo, como de costume. Não há luz.
Felizmente, houve luar.

Foto daqui.

2008/07/11

Ou então

Deve ser do dia. Quero que seja só do dia. Esta angústia deve resultar deste tempo abafado, deste tecto de nuvens indecisas, de um cinza-esbranquiçado, aqui tão perto que só deixa ver o azul em rasgões pontuais, lá do outro lado do rio.
Ou então.
Eu sei que não é o tempo. E desta vez não é a saudade. Nem tu. Nem a tua ausência. É o ter chegado ao limite e saber que, ao rebentar, vou levar tudo à frente. Até o que não quero. E isso não.
E então.
Tu aqui, ao meu lado. Sem estares, mas estando.
— Calma. Não faças nada. Eu estou aqui.
E eu saber que não deixas que o faça, apenas porque eu não faço por tu achares que não devo. E tu é que sabes. Eu sei.

Foto daqui

Porque foste

Porque foste na vida a última esperança
Encontrar-te me fez criança
Porque já eras meu, sem eu saber sequer
Porque és o meu homem, e eu tua mulher
Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas
E tuas mãos foram minhas com calma
Porque foste em minh'alma como um amanhecer
Porque foste o que tinha de ser

Vinicius de Moraes

2008/07/10

Bliss

Porto de Mós, Junho de 2008

Houve dias em que descia com a desculpa do vício apenas porque era enorme o que sentia e apetecia-me cantá-lo a tudo e todos.
E sabia que, mesmo que o fizesse não chegaria, pois era tão forte que sufocava.
E tão fraco, todavia, que foi quebrado, num momento só, sem que o perdesse todo.
E agora desço, com a mesma desculpa, mas para ouvir os pássaros, aqueles que nos anunciavam, de madrugada já, que eram horas de nos separarmos e fazer do dia noite.
E volto a sentir, por vezes, sem que o encoraje, esse nó que cresce sem controlo, essa plenitude imensa que me eleva acima dos mortais e me protege de quem não entende como é possível amar assim.
Um sonho, apenas um sonho.
Tu. My bliss.

*Bliss – felicidade suprema; êxtase.

2008/07/09

Experiência

"Experience is not what happens to you. Is what you do with what happens to you."*
Aldous Huxley

Só porque me apetece e porque este senhor foi um génio e porque acho que isto é mesmo verdade (e não me venham com tretas que são mais experientes que eu porque já passaram pelas coisas e eu não, porque afinal muitos do que o dizem não aprenderam nada com aquilo por que passaram e continuam a fazer a mesma asneira uma vez após outra), apeteceu-me pôr aqui esta frase. Quanto a mim, tenciono descobrir coisas novas em cada cabeçada ou cada tombo que dê, para que da vez seguinte seja, se não menos árduo, pelo menos diferente. E também aprender a amar melhor com cada amor vivido e com cada amor perdido, para que possa sempre amar mais (não sei ser será possível amar mais do que te amei, mas pelo menos igual será) e ser mais amada (desta vez para sempre, se é que há um sempre – eu acredito que sim). Nem que seja só por mim.

*"Experiência não é aquilo que te acontece. É o que fazes com aquilo que te acontece."

2008/07/06

Little Black Dress

Não há como o Verão para poder fazer isto. O inesperado, o surpreendente, as decisões no calor do momento têm o poder de nos animar. E de, certa forma, preencher aquele vaziozinho que há muito nos incomoda, aquela fresta por preencher que deixa entrar os arrepios da monotonia, da melancolia de termos sido rejeitados. Mais uma noite de fim de semana em casa, não. Mesmo que já depois do sábado ser domingo, nos primeiros minutos mesmo, se decida "Vamos lá então! É só mudar de roupa e estou a caminho". E, como é Verão, enfia-se um vestidinho, dão-se uns últimos retoques, acrescenta-se um pormenor e vai-se ao encontro do aparentemente desconhecido. Mesmo que não se faça nada de especial, mesmo que os planos acabem por sair ao contrário, sabemos que estamos vivos e que há alguém que nos ouve. Depois, regressa-se a casa, o céu já daquela cor que antecede a manhã. E que eu gostaria de, um dia, ter partilhado contigo.

2008/07/04

Maré

Há quem sinta que, por vezes, vinda do nada, abater-se sobre si uma tragédia e, frequentemente, o desespero chega a fazer desejar que a onda o arrastasse também. Para não enfrentar a perda, para não se deparar com a destruição do seu pequeno mundo, da sua praia, enfim, para não ter que reagir. Mas é preciso lembrar que o mar, e a vida com ele, são feitos de ciclos. Se o tsunami se abate sobre nós, sabemos à partida que não ficará para sempre; volta para trás, como qualquer onda, como todas as marés diariamente sobem e descem. E, como os marinheiros, devemos saber aproveitar o bom e o mau de uma e outra. Se não podemos fazer-nos ao mar, descansamos, reparamos as redes e o navio. Noutro dia pescaremos.
As águas que nos inundam também não trazem só destruição. Muitas vezes, ao baixarem, arrastam com elas destroços que não nos interessam e, algumas vezes, mais do que pensamos, trazem com elas tesouros que nunca pensámos encontrar. Basta-nos saber procurar e aproveitar para fazer da nossa praia o que sempre quisemos que fosse. Mesmo que para isso tenhamos, que por uns tempos, fechar as suas portas.
As minhas, apesar de não ter ocorrido uma catástrofe, apenas uma má maré inesperada, vão permanecer abertas. E continua a haver espaço para que, um dia, o mar me devolva o que me levou, quem sabe de uma outra forma qualquer que ainda não adivinho. Entretanto, vou recolhendo os destroços, plantando novas sementes e reorganizando o meu espaço. Sem me render.

2008/06/30

E, no entanto...

Seria tão mais fácil arrumar-te a um canto, decidir que já não te amo, conseguir odiar-te e esquecer-te de vez. E, no entanto...
"eu sei que vou sofrer
por toda a minha vida vou sofrer
a eterna desventura de viver
à espera de viver ao lado teu
por toda a minha vida."
E, no entanto, de que me serve amar-te se não to posso dizer?

2008/06/06

Again

"To love is to be ready to lose, isn't it? It's not to have, it's not to keep. It's to put someone else's happiness before yours. Isn't that how you should be? So if that person goes a different way, what can you do?"
Tenta-se de novo. Mas sem nunca conseguir fazê-lo da mesma forma. Porque vamos amar essa pessoa para sempre.

"Amar é estar pronto para perder, não é? Não é ter, não é guardar. É pôr a felicidade de alguém à frente da nossa. Não é assim que devemos ser? Por isso, se essa pessoa segue um caminho diferente, que podemos nós fazer?"
The Light of Day, Graham Swift

2008/06/02

Reset

Ontem, em conversa com um amigo, e face aos comentários que ele fez a algumas das minhas atitudes, tomei a devida nota para fazer um reset à minha personalidade. E eis senãoquando, logo de manhã (eu que nem costumo ler o signo pela manhã), dou com isto:

"Today you feel in control and on top of the world. There is nothing you can't do, R. This would be a most auspicious time to begin a new project or undertake a creative endeavor. You can't help but succeed, though you must take care not to get in your own way. Sometimes you can be your own worst enemy. Know that you need only believe in yourself and move confidently in the direction of your dreams in order to make them come true."
Quase inacreditavelmente, é assim que me sinto mesmo. Espero que não seja só hoje.

"Hoje sente que tem o controlo e está no cimo do mundo. Não há nada que não possa fazer, R. Esta é uma altura muito auspiciosa para começar um novo projecto ou levar a cabo um esforço criativo. Só poderá ser bem sucedida, apesar de ter que ter o cuidado de se não se colocar no seu próprio caminho. Às vezes pode ser o seu pior inimigo. Saiba que apenas precisa de acreditar em si própria e mover-se confiantemente na direcção dos seus sonhos para os conseguir tornar realidade."


Classificação


Aparentemente, os parâmetros de avaliação mudaram. Ou não?

Roubado daqui.

2008/05/26

And so it is

Não é fácil o amor melhor seria
Arrancar um braço fazê-lo voar
Dar a volta ao mundo abraçar
Todo o mundo fazer da alegria

O pão nosso de cada dia não copiar
Os gestos do amor matar a melancolia
Que há no amor querer a vontade fria
Ser cego surdo mudo não sujeitar

O amor o destino de cada um não ter
Destino nenhum ser a própria imagem
Do amor pôr o coração ao largo não sofrer

Os males do amor não vacilar ter a coragem
De enfrentar a razão de ser da própria dor
Porque o amor é triste não é fácil o amor

E é assim mesmo. Difícil.

Tirado daqui.

2008/04/14

Impossibilidade

Por mais que dê voltas à cabeça, ainda não percebi como é que se agarra uma coisa que não tem ponta por onde se lhe pegue. Este vai ser um dia difícil.

2007/12/04

Fogo frio

O nevoeiro para lá da montanha feita de telhados ajuda a esconder o resto da cidade que se encosta ao rio, hoje embaciado. Ao canto, as luzes de Santa Maria de Belém iluminam a noite, fazendo-me esquecer o frio que faz na varanda. Eu desço e vou para casa, através da névoa. Gosto da sensação de atravessar este fogo frio.

2007/11/23

Incongruência

Alguém já reparou que 80% benéfico é muito menos relevante que 20% prejudicial? Pois é, somos assim. Quase todos.

2007/10/15

Receita

Gosto dela fria. Acabadinha de descongelar. Aos pedacinhos, para saborear pouco a pouco e, evidentemente, com o tempero certo. Um fio de azeite, uma pitada de salsa bem picadinha, três pedrinhas de flor de sal e, o que não pode faltar, vinagre q.b.. É assim que eu gosto da vingança. Na temperatura certa.

Foto daqui

2007/10/09

Plástica

Chegou há cerca de 15 dias, mais coisa menos coisa. Mas vem diferente, lá isso vem. Possivelmente, de tão agredido pelas recentes manias de climas tropicais e para estar a par do aquecimento do planeta, para não ser desdenhado pelo seu carácter desenfreado, armou-se de falsa coragem e vem, agora, mostrar as maminhas novas qual socialite em decadência. Então, anda por aí a exibir a mudança sob a forma de um sol abrasador, que destoa da sua condição de Outono. Sim, meu caro, com plástica ou não, és o Outono e não tens contigo o tempo livre para se estar à beira-mar o dia inteiro de sumo tropical na mão, apanhando sol no intervalo dos mergulhos. Falta-te a exuberância do verão, como às "plastificadas" falta a energia da idade que pretendem ter. Outono, tu és o princípio de tudo e, com tanta indecisão sobre que aparência ter, estás a atrasar as ventanias, o cheiro das castanhas assadas, as lareiras acesas pela primeira vez, a manta de que temos saudades no sofá. Volta, mas volta como és, e deixa-nos recomeçar.

2007/10/08

Comeback

Tenho saudades disto. Tenho saudades de pegar numa palavra, numa atitude, numa ideia, numa sensação e lançá-la ao mundo para o provocar. Mas, com o espírito com que tenho andado, umas vezes enlevado de paixão, outras angustiado com contradições e incertezas, não queria transformar isto num relambório de lamechices e considerações superficiais que, ao fim de dois dias, vão parar ao cesto dos rascunhos para aí permanecerem ad eternum. E a eternidade, essa, reserva-se aos bons amigos e não sobra, portanto, espaço para indecisões.

Nota: Corri daqui com a tonta da Heidi Klum. Afinal, que tem de mais a criatura ser parecida comigo?

2007/09/19

O que não tem remédio...

Que se faz a um lume que insiste em espevitar sempre que deitamos água na fervura? Corta-se-lhe o gás.