2008/05/26

And so it is

Não é fácil o amor melhor seria
Arrancar um braço fazê-lo voar
Dar a volta ao mundo abraçar
Todo o mundo fazer da alegria

O pão nosso de cada dia não copiar
Os gestos do amor matar a melancolia
Que há no amor querer a vontade fria
Ser cego surdo mudo não sujeitar

O amor o destino de cada um não ter
Destino nenhum ser a própria imagem
Do amor pôr o coração ao largo não sofrer

Os males do amor não vacilar ter a coragem
De enfrentar a razão de ser da própria dor
Porque o amor é triste não é fácil o amor

E é assim mesmo. Difícil.

Tirado daqui.

2008/04/14

Impossibilidade

Por mais que dê voltas à cabeça, ainda não percebi como é que se agarra uma coisa que não tem ponta por onde se lhe pegue. Este vai ser um dia difícil.

2007/12/04

Fogo frio

O nevoeiro para lá da montanha feita de telhados ajuda a esconder o resto da cidade que se encosta ao rio, hoje embaciado. Ao canto, as luzes de Santa Maria de Belém iluminam a noite, fazendo-me esquecer o frio que faz na varanda. Eu desço e vou para casa, através da névoa. Gosto da sensação de atravessar este fogo frio.

2007/11/23

Incongruência

Alguém já reparou que 80% benéfico é muito menos relevante que 20% prejudicial? Pois é, somos assim. Quase todos.

2007/10/15

Receita

Gosto dela fria. Acabadinha de descongelar. Aos pedacinhos, para saborear pouco a pouco e, evidentemente, com o tempero certo. Um fio de azeite, uma pitada de salsa bem picadinha, três pedrinhas de flor de sal e, o que não pode faltar, vinagre q.b.. É assim que eu gosto da vingança. Na temperatura certa.

Foto daqui

2007/10/09

Plástica

Chegou há cerca de 15 dias, mais coisa menos coisa. Mas vem diferente, lá isso vem. Possivelmente, de tão agredido pelas recentes manias de climas tropicais e para estar a par do aquecimento do planeta, para não ser desdenhado pelo seu carácter desenfreado, armou-se de falsa coragem e vem, agora, mostrar as maminhas novas qual socialite em decadência. Então, anda por aí a exibir a mudança sob a forma de um sol abrasador, que destoa da sua condição de Outono. Sim, meu caro, com plástica ou não, és o Outono e não tens contigo o tempo livre para se estar à beira-mar o dia inteiro de sumo tropical na mão, apanhando sol no intervalo dos mergulhos. Falta-te a exuberância do verão, como às "plastificadas" falta a energia da idade que pretendem ter. Outono, tu és o princípio de tudo e, com tanta indecisão sobre que aparência ter, estás a atrasar as ventanias, o cheiro das castanhas assadas, as lareiras acesas pela primeira vez, a manta de que temos saudades no sofá. Volta, mas volta como és, e deixa-nos recomeçar.

2007/10/08

Comeback

Tenho saudades disto. Tenho saudades de pegar numa palavra, numa atitude, numa ideia, numa sensação e lançá-la ao mundo para o provocar. Mas, com o espírito com que tenho andado, umas vezes enlevado de paixão, outras angustiado com contradições e incertezas, não queria transformar isto num relambório de lamechices e considerações superficiais que, ao fim de dois dias, vão parar ao cesto dos rascunhos para aí permanecerem ad eternum. E a eternidade, essa, reserva-se aos bons amigos e não sobra, portanto, espaço para indecisões.

Nota: Corri daqui com a tonta da Heidi Klum. Afinal, que tem de mais a criatura ser parecida comigo?

2007/09/19

O que não tem remédio...

Que se faz a um lume que insiste em espevitar sempre que deitamos água na fervura? Corta-se-lhe o gás.

2007/07/12

Silly Season

Algo de profundamente errado se passa a partir do momento em que a minha silly season termina exactamente no dia em que vou de férias e recomeça no momento em que regresso ao trabalho.

2007/06/26

Madrugar

Há bocado estava a ouvi-lo* e agora já não estou. Não sei se era da excitação de ter avistado a presa, se um canto de glória por ter sido o primeiro a lá chegar. O que é certo é que num instantinho, o pássaro se calou. Afinal, madrugar tem as suas vantagens. Excepto para as minhocas, claro.

Foto daqui.

*Ao pássaro madrugador que, por isso, teve direito à minhoca. Ou, como quem diz em estrangeiro,
the early bird gets the worm.

2007/06/08

La folie

"Bonsoir
Ton vehicule n'a pas l'air d'avoir de passager
Peux-tu: Veux tu me recevoir

Sans trop te déranger?

Mes bottes ne feront pas trop d'echos dans ton couloir

Pas de bruit avec mes adieux
Pas pour nous les moments perdus
En attendant un uncertain au-revoir

Parce que-j'ai la folie, oui c'est la folie


Il était une fois un etudiant

Qui voulait fort, comme en litérature

Sa copine, elle était si douce

Qu'il pouvait presque, en la manageant

Rejeter tous les vices
Repousser tou les mals

Détruire toutes beautés
Qui par ailleurs, n'avaient jamais été ses complices
Parce qu'il avait la folie, oui, c'est la folie

Et si parfois l'on fait des confessions

A qui les raconter - même le bon dieu nous a laissé tomber

Un autre endroit, une autre vie
Eh oui, c'est une autre histoire
Mais a qui tout raconter?
Chez les ombres de la nuit?

Au petit matin, au petit gris
Combien de crimes ont été commis

Contre les mensonges et soi disant les lois du coeur
Combien sont la à cause de la folie
Parce qu'ils ont la folie"

Stranglers
Provavelmente, a minha canção favorita. Desde sempre.

2007/06/05

Déjà Vu

Confrontada com a inevitabilidade de mais uma directa, destinada a repetir, esperançosamente, o mesmo trabalho que motivou a anterior saga de 30 horas, resolvi:
— Vou elogiar outro. Afinal, elogiei o T.G. a semana passada, posso fazer o mesmo a outra pessoa, já que a necessidade de me dedicar ao trabalho me provoca uma inexplicável vontade de fazer tudo menos o dito.
Pois bem, entretanto passei pelo Diário e fiquei com uma irresistível vontade de comer grelos. Só mesmo para conseguir ver este ritmo de uma outra perspectiva.

Outros bloggers dignos de mérito: vão ter que ficar à espera.

2007/05/29

pspsssspss....

E pronto, são 12:36 e ainda aqui estou. De olho aberto, mas pouco.

P.P.S.

Porra! São oito da manhã e continuo a não ver o fim à coisa! Nem à coisa nem sequer, daqui a pouco, a nada de nada.

P.S.

Desculpem qualquer coisinha. São quase 4 da manhã, ainda estou a trabalhar e não vejo o fim à coisa. Aliás, não estou a trabalhar; estou, como de costume, à espera que os outros se despachem para poder continuar com o meu. Fuck!

Obrigada

Chateiam-me os blogues que não têm disponível nenhum e-mail de contacto, conveniente anónimo. É que eu queria (e desde há muito tempo que quero) de elogiar o T.G. do Diário e não consigo (sem ter que o fazer aqui, tão declaradamente, porque soa-me sempre a graxa). Era mesmo só para o elogio, sem pretensões de retribuição, nem a nível de agradecimento, nem de reconhecimento das parcas qualidades do meu semi-abandonado blogue. Era só mesmo para reconhecer que me parto a rir com o humor descabido, chauvinista, machista, infinitamente negro da criatura. E, também, para lhe contar que, para me fazer rir mais que ele, só o comentário de uma barbie que eu conheço, génio possuidor do grau de inteligência concedida a tal tipo de boneca (a qual não lhe permite ir além do significado imediato de uma palavra) quando li em voz alta algumas frases do seu último post: “Chego de um casamento. Com mais dois quilos de adiposidade e uma depressão que, para ser sanada, obrigará a outros tantos em cima. É que isto de ver gente nova, casada, fértil, próspera, feliz e com vida sexual obriga-me a pôr a minha vida em perspectiva. E não há nada mais deprimente do que me ver em perspectiva. Até porque a minha perspectiva é esta: a minha vida é uma merda. Sou infeliz e sem vida sexual (pleonasmo).” O mesmo foi: — E achas graça a isso? Eu não gostava nada de ouvir a minha filha dizer, aos vinte e tal anos, que tem uma vida sexual infeliz. Pessoas como essa só trazem o mal ao de cima.”
A mim, não.

São oito e meia da manhã e começo a chegar à conclusão de que deve haver aqui coisas que não fazem sentido. Mas que se lixe. O T.G. não passa a ser ainda mais misógino (que deve ser o verdadeiro problema dele) só por causa disto. E eu também já estou habituada à crítica. Mesmo a destrutiva.

2007/05/22

Inconveniências

Há por aí muitas coisas intragáveis, repugnantes mesmo, mas não deve haver nada tão difícil de engolir como uma verdade inconveniente. É que fica mesmo ali, atravessadinha na garganta. Que dor!

2007/05/02

Cadelices

Voltando às dentadas nas canelas, há essencialmente duas formas de enfrentarmos as nossas fraquezas: tentar ultrapassá-las, aprendendo, limando as arestas e evoluindo, ou dissimulando-as através de subterfúgios que, bem utilizados, diminuem a sua relevância. Sinceramente, prefiro a primeira e, se me queixo, é porque alguém usou da segunda e ainda tenho marcas dos dentinhos.

Cuidado com o cão II

Isto de se passar o tempo a pensar no cão com quem nos deitamos tem os seus inconvenientes: esquecemo-nos muitas vezes das cadelas que nos rodeiam e que, à mínima oportunidade, nos mordem as canelas. Arre!

Foto daqui.

2007/04/12

Comidinha

De uma vez por todas, espero que quem diz "fazer o comer" ou "o comer está na mesa", perceba que, se se dissesse mesmo assim, o seguinte não seria possível, podendo levar inclusivamente a desavenças familiares graves:
“Quando o Pai de manhã ouviu a filha vomitar, ficou preocupado e perguntou à mulher:
— Foi comida?
— Foi, mas vai casar...”
Exemplificando:
“Quando o Pai de manhã ouviu a filha vomitar, ficou preocupado e perguntou à mulher:
— Foi comer?
— Não, foi vomitar, estúpido.”

2007/04/11

Pobreza

Pior que um pobre de espírito é um pobre pobre de espírito, que não percebe que enquanto cumprir na perfeição o seu papel de lacaio está no caminho certo para continuar a ser apenas isso. E só isso.

2007/03/20

Estou mas não estou

Ando arredada, pois. Ando na lua, também, e de vez em quando passo pela terra, num desvario ansioso de voltar a entrar em órbita. São assim os meus dias, distantes das noites em que me perco num sonho real. Mas, entre muitas outras, há uma coisa extremamente boa: as afrontas do dia-a-dia já não me fazem mossa. E vou vivendo assim, de sorriso em sorriso, de palavra em palavra. E é bom.

2007/03/05

Cuidado com o cão

Em português costuma dizer-se que quem se mete com miúdos acorda mijado (o que não deixa de ser verdade), mas novamente os ingleses presenteiam-nos com uma expressão muito mais abrangente e exactamente com o mesmo significado: If you lie down with dogs, you'll rise up with fleas*. Ou seja, é preciso escolher bem o cão com quem nos deitamos.

*Se te deitares com cães, acordas com pulgas.
Foto daqui.

2007/02/19

E é só isto que importa

E em resposta a um desafio da Hipatia, aqui fica um dos meus posts preferidos, até porque a primavera tarda e eu ainda não tenho o que quero:

Era só isso

Era só isso. Um atrasar de passo, que os teus são mais longos que os meus, um parares ao pé de mim, exactamente ali, naquela esquina. E, sem eu te dizer, perceberes porquê. Tu saberes que eu não resisto ao apelo da terra, tu entenderes que eu preciso de parar para absorver as coisas, para as tornar minhas. Saberes que preciso de ir devagar para levar os cheiros, as cores, os gestos, os pormenores comigo. Tu saberes que me demoro a olhar a sombra do meu pé antes de o pousar no chão, a contar com os olhos os tufos de flores rebeldes no relvado cuidado do jardim, elas que se recusam a não florir ali, e que são como eu, que não me resigno. Tu saberes qual é a minha cor de céu preferida e que é aquela do fim do dia, um azul meio turquesa, meio petróleo, e Vénus a piscar para mim, às vezes a lua já a espreitar. Tu saberes que gosto do teu braço à minha volta, e de encostar a cabeça a ti enquanto caminhamos. E tu parares comigo ali, naquela esquina, de uma rua qualquer, a sentir o primeiro cheiro da primavera num fim de tarde de Março, para o levarmos connosco para casa. A nossa casa. Era só isso, era só isso que eu queria.

2007/02/15

É hoje, é hoje.

Nas nossas vidas, precisamos de pessoas assim. Que dão, que compreendem, que estão, que nos recebem sempre de braços abertos, mesmo que seja num só telefonema. Que são simples, embora se afirmem complicadas. Que sabem quais são os valores essenciais e não precisam de se perder em teorias alheias para encontrar o sentido da vida. Que vivem, e pronto. Que não nos exigem mais do que somos para estarem do nosso lado, ao nosso lado.
Ela faz anos hoje e não resisto, mesmo antes de falar com ela, a elogiá-la publicamente. Parabéns, môri!

2007/02/09

Boooooommmmmmmm!

Querem relógios ou água? Lisa ou com gás? Muito ou pouco carbonatada? É que depois de horas sem fim a ler e escrever sobre medicamentos, águas, índices glicémicos e tantas outras coisas (de que o cansaço mental já não me deixa lembrar), eu estou quase sem capacidade para vir aqui "postar".
A verdade é que ando cheia de ideias, mas não consigo pô-las no papel. De projectos cujos primeiros passos não consigo sequer pensar em começar a pôr em prática. De promessas à minha sobrinha que não arranjo tempo para cumprir. De fins de semana que também são princípios porque se começa a trabalhar logo ao domingo. Ou se tem só este para descansar. (Já no próximo, é deitar a água fora e acabar de dar corda ao relógio, num tiquetaque infernal de bomba prestes a explodir.)
Ai querem que eu escreva? Eu também quero. E também quero não trabalhar todos os dias das 10 às 20:30 ou mais sem receber mais por isso. Ter fins de semana completos. A certeza de que posso combinar alguma coisa e cumprir, mesmo se não chegar à hora exacta. Ter a cabeça arejada para me poder divertir e pensar em mim. Para tratar de mim. Para gostar de mim – porque neste momento começo a não gostar de uma pessoa que come e cala, que aceita tudo sem questionar, que assiste a injustiças umas atrás das outras sem reagir e que deixa o tempo correr sem perceber que ele passa. E tempo, novamente, lembra-me relógios. Que são já no próximo domingo. Para segunda. Tiquetaque. Tiquetaque. Tiquetaque. Tiquetaque. Até rebentar.
Boooooommmmmmmm!

Foto daqui.

2007/02/01

Ausência

E ela diz que eu tenho andado esquiva. Com uma certa razão, porque as minhas passagens por aqui têm sido curtas ou, então, aproveitamentos de sobras à laia de roupa velha em dia de Natal. Um dos motivos é muito simples: o frio, que me afasta deste teclado até para conversar. Não aguento esta friagem (neste momento tenho as mãos a enregelar e o corpo começa a tremer-me de frio apesar das três camadas de roupa, que incluem uma camisola de malha polar), e até já houve quem assistisse a alguém de camisola de lã+pijama+manta enrolada num sofá dentro de uma casa num clima moderadíssimo por alturas da passagem de ano (mas que parece não se lembrar).
Outro motivo é o cansaço, que se deve não só ao excesso de trabalho (desde que vim de férias tive direito a um fim de semana completo para descansar, porque tive que trabalhar sábados e domingos depois de uma série de noitadas durante a semana) como também a uma anestesia geral*, que acaba por nos deixar igualmente exaustos.
Finalmente, os motivos de inspiração resumem-se a disparates tão grandes, tão grandes que seria patético e até talvez perigoso estar aqui a relatar o que me tem zurzido os ouvidos, já sem dizer que podia correr o risco de ter alguém a dizer que tenho um blogue que é só fel.
Enfim, quando as temperaturas amainarem, estarei de volta com mais regularidade. Até lá, vou tentar manter presença sempre que tal se justificar.
Entretanto, ando entretida** a pensar no presente que hei-de encomendar ao coelhinho da Páscoa, desta vez com mais tempo, porque depois da desilusão do Natal passado, está mais que provado que o senhor das barbas brancas e das renas não existe. Só existem designers que acham que tablóide quer dizer tabuleiro***.

*Nada de grave, está tudo bem, só não estou pronta para outra porque não me apetece mais nenhuma.
**Não é erro, é propositado.
*** Não resisti a uma pitadinha de veneno (ou o tal do fel).

2007/01/30

Repescado

E porque o frio, as circunstâncias e muitas outras coisas me têm afastado das palavras que por aqui costumo deixar, fui repescar um dos meus primeiros textos, dos idos de 2003.

O Verbo "Dever De"

Confrontada com exemplos intermináveis da forma como os portugueses usam a língua-mãe, esquecendo que a mãe é mesmo para respeitar, por muito galinha, chata, pespinenta, exigente e outras coisas que tais que possa ser, concedo-me a imodéstia de sugerir uma forma de conjugar o novíssimo verbo "Dever de". Assim sendo, proponho as seguintes formas para o presente do indicativo do mesmo:

Eu devo de ser doida
Tu deves de ser parvo
Ele deve de estar maluco
Nós devemos de ser idiotas
Vós deveis de ser uns asnos
Eles devem de ser uns broncos

Posto isto, aqui vai um post.

2007/01/19

Para quem tem pressa


E principalmente para a minha amiga uxka, que graças a mim percebeu muito do fascínio por trás da bela da maçã. Como eu (e muitos outros), deve estar mortinha por deitar as mãos a uma coisa destas. Ó se deve.

Exercício

Sentadas numa esplanada na Praça do Giraldo, em Évora, no final de Outubro, sem nada para fazer se não tentar descobrir um sítio para almoçar (porque o local eleito estava inexplicavelmente fechado para descanso em dia de turistas), a minha amiga pega na caneta, olha em volta e faz uma lista de palavras:


Alfazema

Tranquilidade
Legado
House
Mercadores
Portugal

Tomada de Passageiros
Mundial
Propriedade
Pio
Excepto




A seguir, diz-me:

— Agora, escreve um te
xto com isto tudo.

Cerca de um quarto de hora mais tarde, o resultado foi este:

Praça do Giraldo
O toque pio dos sinos da igreja ordenava o ritmo dos passageiros, que com tranquilidade abandonavam a praça, deixando aquele legado do património mundial.
Agora propriedade de Portugal, a “house” fora antes tomada por mercadores de alfazema e rescendia ainda ao seu aroma simples e persistente, excepto quando se lhe sobrepunha a fragrância a chá verded acabado de preparar.

Alguém quer repetir o exercício?

2007/01/11

O livro

Era só um desafio, entre outros que já aceitei. Desta vez não demorei e ganhei uma página neste livro. Para lerem o meu texto, conhecerem melhor o projecto do António Rosa, saberem quem são os outros autores ou para encomendas, sigam este link e visitem o blogue do livro.

2007/01/02

Conselho de Ano Novo

Não empurres a tua sorte*. Ela pode cair e arrastar-te com ela.
.
.
*Do inglês don't push your luck, que é como quem diz não abuses da sorte.

2006/12/31

Say Goodbye and Say Hello

Não me vou pôr aqui a falar de 2006 ou do que aconteceu ou deixou de acontecer, nem de 2007 e do que espero que venha a acontecer. Primeiro, porque as águas já passaram e nada se repete; em segundo, porque por mais que definamos um traçado, há-de haver sempre um estupor dum imprevisto a atravessar-se no caminho para nos fazer sentir traídos no que planeámos. Por isso, vou deixar correr os dias, sabendo à partida que o sabor do sumo que conseguir tirar deles só depende de mim e do que souber fazer com ele. Por agora, digo adeus a 2006, e preparo-me para dizer olá a 2007. Que venha, eu estou cá para ver.

2006/12/30

Ao longe

Estou do lado de cá desta vista, e vou começar o ano assim. Não me importam as quase 2 horas de atraso do avião, a sande a saber a frigorífico, as duas horas de sono depois de conseguir fazer as malas, a família de patos-bravos que estava atrás de mim na fila do check-in, que achava que o número de voo era igual ao número do avião e que se sentiu desconfiada por A320 ser muito diferente de TP587 mas vamos lá que se faz tarde - cheguei e vou ficar uma semana. Até já.

2006/12/24

Feliz Natal

Que brilhe amanhã, depois e para sempre. Feliz Natal a todos.

2006/12/20

Trambolhão

Quando se salta para as conclusões*, o mais provável é espalharmo-nos ao comprido.

*Do inglês jump into conclusions, que é como quem diz fazer juízos precipitados.

2006/12/16

Lógica Profissional

O frio que vem da janela aqui mesmo ao lado só vem provar que as empresas não são feitas para se trabalhar à noite.

Umbigos

Há quem tenha um umbigo tão grande, tão grande que dentro dele cabem as atitudes de todo o universo.

2006/12/12

Querido Pai Natal

Se é que existes (e se ainda for a tempo), este é o meu pedido para este ano. Vá, não digas que sou esquisita, porque destes todos só quero um. Qualquer que seja.

2006/12/05

Solução

Quando é humanamente impossível, a solução é ser desumano.

2006/12/04

Contra a Corrente

Já me tramaram. Ou pelo menos pensam que sim, porque até me pediram desculpa. Pronto, eu respondo, não me custa nada, mas como não tenho que fazer tudo o que me pedem, esta corrente vai contra a corrente e fica por aqui. Agora quem te pede desculpa sou eu, mas não tenho nada que ver com a roupa interior do outro senhor, quem quer que ele seja.

1 - ALTURA:
Precisamente 1625mm.
2 - QUE SAPATOS ESTÁS A USAR?
Não são sapatos, são botas.
3 - MEDO?
Das alturas, por causa das vertigens. Do escuro, se estiver no meio de uma multidão. Simplesmente, entro em pânico.
4 - OBJECTIVOS A ALCANÇAR:
Bem, se já plantei várias árvores, acho que falta o resto. Entretanto, vou tentando ser feliz. E fazer os outros felizes.
5 - FRASE QUE MAIS USAS NO MESSENGER?
Não faço a mínima ideia. Nunca pensei nisso.
6 - MELHOR PARTE DO CORPO?
Os ombros. Os pés. As mãos.
7 - PALAVRÕES?
Uma vezes, de vez em quando. Outras, mesmo muitas vezes. Todos e com todas as letras.
8 - LADO DA CAMA?
Fico precisamente ao meio, mas estou disposta a ceder um cantinho.
9 - TOMAS BANHO TODOS OS DIAS?
Olha que ideia mais estranha.
10 - GOSTAS DE TOALHAS QUENTES?
Para quê? Onde? De paninhos quentes e meias medidas não gosto.
11 - URSINHOS DE PELÚCIA?
Só se forem de carne e osso, falarem e, obviamente, fizerem outras coisas. Mas confesso que não gosto muito de pêlo.
12 - ACREDITAS EM TI MESMO?
Faço questão.
13 - DÁS-TE BEM COM OS TEUS PAIS?
Depende do que for dar bem.
14 - GOSTAS DE TEMPESTADES?
Muito. Da minha cama, na posição deitado, incrivelmente só se vê céu. E sabe mesmo bem estar ali aninhada a admirá-las.
15 - DESPORTO?
Tudo o que meta água. E lençóis.
16 - PASSATEMPOS E HOBBIES?
Escrever. Ler. Escrever. Ler. Escrever. Ler. Ver o Dr. House, o CSI, o 24, a Anatomia de Grey em doses maciças.
17 - FOBIAS E MANIAS?
Apenas o tal pânico quando falta a luz e estou no meio de uma multidão. Luzes brancas intermitentes, provavelmente pelo mesmo motivo.
18 - QUANTAS VEZES O TEU NOME JÁ APARECEU NOS JORNAIS?
Uma. Tinha 6 ou 7 anos. Já não é mau de todo.
19 - CICATRIZES NO CORPO?
Que tal uma centopeia a trepar do umbigo para cima?
20 - DE QUE TE ARREPENDES DE TER FEITO?
Só me arrependo de não ter feito/dito algumas coisas. E vai daí, talvez nem isso.
21 - COR FAVORITA?
Uns dias sim, outros dias não, é como calhar.
22 - UM LUGAR ONDE NUNCA ESTIVESTE E GOSTAVAS DE IR?
Austrália. Nova Zelândia. Japão. Malásia. Polinésia.
23 - MANHÃS OU NOITES?
Pela noitinha é bom, mas de manhã também não se diz que não.
24 - O QUE TENS NOS BOLSOS?
Um telemóvel.
25 - QUE FARIAS SE FOSSES PRIMEIRO-MINISTRO?
Não faço promessas que não posso cumprir.
26 - SE GANHASSES O EUROMILHÕES QUE FARIAS AO DINHEIRO?
Se ganhasse o Euromilhões só dizia à família. O resto é surpresa.
27 - SE TE CAÍSSE NAS MÃOS A LÂMPADA DE ALADINO O QUE FARIAS? QUE DESEJOS PEDIRIAS?
Um Aladino só para mim. Com tapete mágico incluído.
28 - SE O MUNDO ACABASSE HOJE ÀS 23h59m QUE FARIAS ATÉ LÁ?
Apenas o que realmente me apetecesse.
29 - SE TIVESSES UM FILHO SEM SABER COMO, SEM RAZÃO NENHUMA, QUE FARIAS?
Que raio de pergunta é esta?
30 - SE O TEU FILHO/FILHA UM DIA TE DISSESSE QUE QUERIA SER ADVOGADO/A OU POLÍTICO/A, COMO REAGIRIAS?
Da mesma forma que se me dissesse que queria ser coveiro/a ou varredor/a.

2006/11/30

Vamos lá a animar a Betty

A passear pela net à procura de imagens inspiradoras para um trabalho, dei com um site onde acabei por encontrar a ideia revolucionária acima: já que fazemos madeixas e pintamos o cabelo com as cores mais extraordinárias, por que relegar para segundo plano os nossos outros pêlos? É só ir a BettyBeauty, escolher a nuance e encomendar a cor preferida para animar a Bettyzinha.

2006/11/29

Constatação

As pessoas não mudam. Têm, ou não, a oportunidade de mostrar aquilo que são.

Divagação sobre a dúvida #2

— Porque os intervenientes são diferentes?, pergunta-me a minha amiga uxka.

Também, na medida em que ninguém se mantém igual de um dia para o outro. Cada pessoa que passa pela nossa vida muda o seu sentido, e ao reencontrarmo-nos, se nos perdemos entretanto, nunca a conseguiremos ver da mesma forma.

No entanto, se um dos intervenientes for novo numa história de contornos repetidos, há ainda uma ínfima possibilidade de se conservar a espontaneidade, que inverte então a a tendência que temos para ter cuidado com as palavras, os gestos, as atitudes. E há uma hipótese de se (re)viver o momento, desta vez sabendo por onde não ir.

Mas o verdadeiramente importante é saber separar as coisas: até que ponto podemos (e devemos) ser impulsivos, e quando é que devemos ter cuidado com as atitudes que tomamos. E é esse equilíbrio que eu ainda não descobri. Até lá, vou agindo por impulso, como sempre, embora cada vez com mais cuidado e demora.


2006/11/28

Dúvida #2

Se a história se repete, por que é que nunca nada é igual ao que já foi?

2006/11/23

Falso pudor

Fonha-se! Cosa-se! Foza-se! Fónix! Se há coisinha que eu ainda não percebi é por que raio de motivo as pessoas não conseguem dizer o que estão a pensar e se comportam insistentemente como disléxicos, fanhosos, afásicos e afins.


Nota: Não é a utilização de calão que me aflige, eu própria o uso sempre que tal se justifica; o que me complica com o sistema é o disfarce que as pessoas utilizam. Por que dizer o que estamos a pensar de forma disfarçada se o que queremos dizer é mesmo aquilo? Quanto aos nortenhos, estou mais que habituada, e quando regresso é uma verdadeira desgraça.

2006/11/18

Uma insustentável leveza

Ele há pessoas que têm um espírito tão levezinho que andam sempre com duas pedras na mão. Deve ser para não voarem.

2006/11/16

Constatação

Quando se está de pé atrás, não há relação que não tropece.

2006/11/15

Dúvida #1

Por que será que, mesmo sem me ter perdido, ainda não encontrei forma de me achar?

Devaneio #2

Por que será que as mulheres perdidas são as mais procuradas?

2006/11/14

Devaneio #1

Alguém já reparou que os responsáveis pela colocação das bulas* dentro das caixas de medicamentos o fazem sempre do lado que abrimos as caixas, especialmente naquelas em que é indiferente abrir de um lado ou de outro? Quanto a mim, deviam obrigá-los a colocá-las sempre do lado oposto.

*Para quem não sabe, a bula é aquele papelinho que vem junto com o medicamento e que explica qual é o mal que trata e o mal que faz ao fazê-lo.

2006/11/13

De ízi uei áute

Pois é, chegou-se aqui. Na quinta-feira uma copy em princípio de carreira virou-se para mim e disse: “Como já sei que é revisto, nem me preocupo muito com o que escrevo”.
Realmente, sabe mesmo bem poder deixar para os outros a responsabilidade do que fazemos. É a saída mais fácil. Ou, como eu gosto de dizer em estrangeiro, de ízi uei áute.

Procura-se

Sacana, dormiu comigo de sexta para sábado, acordou ao meu lado na cama e foi só eu virar costas para ir preparar o pequeno almoço para desaparecer, sem dizer nada.
Seus malandros, não é nada do que estão a pensar. Ainda por cima, se fosse um homem, eu teria passado uma óptima noite e teria um rosto, um corpo, um cheiro. Mas não, foi um desgraçado dum post que me andou a rondar os sonhos para se esvair ao primeiro sinal do dia. E nem com os bons conselhos de duas noites seguidas se resolveu a voltar. Terá ido comprar tabaco? Espero que volte, pois até tinha graça.

2006/11/05

Classificação

Há, essencialmente, dois tipos de pessoas: as que dizem o que pensam e as que pensam o que lhes dizem.

2006/11/03

Faux pas

Há duas maneiras de corrigir um faux pas: dar outro igualmente em falso, para equilibrar, ou voltar atrás para tentar corrigi-lo. Ambas são formas de resolver, melhor ou pior, os nossos deslizes.
Há quem opte pela primeira solução, e essa funciona como a tal segunda estalada que se dá para que a vítima não fique só com uma face a arder, supostamente facilitando, desse modo, o esquecimento da primeira; a segunda opção, se tomada e efectuada com savoir faire, é bastante menos dolorosa, se bem que deixa igualmente as suas marcas, mais difíceis de se desvanecer no tempo.
Quanto a mim, no meio de tanta porrada que tenho levado ultimamente, da qual não me posso queixar sob pena de ser acusada de me fazer de vítima, é-me igual. Ou então, não. Prefiro sobremaneira o método da segunda estalada: a mensagem fica entendida e o caso está arrumado. De uma vez por todas.

2006/10/23

Dificuldade

Mesmo com tanta gente a achar, continua a ser difícil encontrar alguma coisa de jeito.

Paradoxo

Esta chuva é uma grande seca!

Foto daqui

Politicamente correcto

Ouvido em directo, numa entrevista a um motorista de táxi sobre os assaltos de que foi vítima:

— Uma das vezes foi dois africanos, um português, o outro brasileiro.

2006/10/19

Elevadoromania

Quem já tiver percebido que me explique, por favor, a obsessão que muitos portugueses têm por viagens de elevador.
Tudo começa pelo carregar no botão. Quando se está, por exemplo, no 0 e se quer subir, carrega-se no botão para descer, porque queremos que o elevador venha para baixo. Ele pára, com gente dentro, e entra-se, para uma viagem gratuita e gratificante até ao -1, -2 e por aí fora, até à última paragem. Depois, temos o sublime prazer de ficarmos sozinhos dentro daquela caixa sem vista para lado algum até ao próximo andar. O mesmo se passa quando queremos descer, obviamente. Primeiro subimos até ao último andar, para termos a certeza de que o nosso lugar está guardado até ao nosso destino. Que fica no rés-do-chão.
Então, vem o fascínio pelos botões de abrir e fechar portas. Que prático, assim não temos que esperar e ainda brincamos ao jogo do entala.
Outro aspecto fascinante é o do desafio da gravidade. Mesmo sabendo que o elevador tem limite de carga, tentamos sempre meter mais alguém, pois se cabem 20, também cabem 21 ou 22. Tudo acaba com um elevador que desce abaixo do nível do patamar e que, consequentemente, encrava. É chegado o momento de tocar o alarme e reunir a unanimidade em torno do mau funcionamento dos serviços. E do material, obviamente.
Finalmente, quem não segue as regras deste jogo, é sorridentemente visto como o tótó que tem medo de elevadores pelos espertalhões que já conseguiram o seu lugarzinho lá dentro.

Foto daqui

Horóscopo

Às vezes, devíamos mesmo acreditar no que os astros nos dizem. Como quase sempre, este acerta, mas como não ligo muito a isto, esqueço-me. Pelo menos, percebi, de uma vez por todas, como funciona o jogo. E as coisas vão mudar, garanto que vão, e não é só por um dia. Amanhã, depois e depois, há mais. É que, como a memória é curta, há quem se esqueça do modus operandi de um touro (com ascendente touro, só para ajudar à fiesta): quando me espetam a doer, não perdem por esperar por uma valente cornada.

2006/10/13

Trabalhos do Imaginário

A partir de amanhã, 14 de Outubro, na Tágide, podem visitar uma exposição de arte contemporânea, com o tema "Trabalhos do Imaginário".

Argumento

O Sr. Ministro da Saúde argumentou que, se as pessoas pagam €3,20 por um maço de tabaco (marca branca, evidentemente) ou €5,00 por um bilhete de cinema, quando têm, por exemplo, um ordenado de €600, também podem perfeitamente pagar €5 pela diária num hospital, o que evidentemente resulta de uma opção perfeitamente consciente.

— Olha, prá semana, para além de estar de baixa a receber só 65% do ordenado, vou passar umas férias a cirurgia em Santa Maria. Tem um não sei quê de hospital de campanha num país africano. E só se pagam €5,00 por dia, com pensão completa e vista para o jardim.
— Eh pá, que fixe! Também posso ir?
— Podes, só tens que arranjar uma doença das graves. E o melhor de tudo é que se conseguires estar mais de 14 dias, eles têm uma promoção do caraças: não pagas nada.

O pagamento até poderá ser compreensível, em certas circunstâncias, mas o argumento, Sr. Ministro, que coisa. Experimente lá reduzir o seu ordenado para €600 por mês e veja quantos filmes pode ver por mês ou quantos maços de tabaco pode comprar (se deixar de almoçar, de pagar a renda e for a pé para o trabalho)…

2006/10/04

Ciclo

"This is how it works
You're young until you're not
You love until you don't
You try until you can't
You laugh until you cry
You cry until you laugh
And everyone must breathe
Until their dying breath

No, this is how it works
You peer inside yourself
You take the things you like
And try to love the things you took
And then you take that love you made
And stick it into some
Someone else's heart
Pumping someone else's blood
And walking arm in arm
You hope it don't get harmed
But even if it does
You'll just do it all again "
Regina Spektor, On the Radio

E é mesmo, mesmo assim. Terminei um ciclo, estou a começar outro (deve ser do Outono de que gosto tanto). A olhar muito para dentro, para encontrar aquilo de que gosto, e também para fora (afinal estou a ver muito melhor), para ver se descubro com quem o partilhar. E no entretanto, povoo o meu silêncio com músicas como esta.

"E as coisas são assim/És jovem até não seres/Amas até não amares/Tentas até não conseguires/Ris-te até chorares/Choras até te rires/E todos têm que respirar/Até ao último fôlego.
Não, as coisas são assim/Olhas bem dentro de ti/Tiras aquilo de que gostas/E tentas amar o que tiraste/E depois tiras o amor que criaste/E põe-lo num certo/Coração de outra pessoa/A fazer correr o seu sangue/E vão de braço dado/Esperando que não se magoe/Mas mesmo que aconteça/Voltas a fazê-lo de novo."

2006/09/29

Lost, not found (yet)

Não sei o que se passa, não sei para onde foi, garanto que já procurei mas não há forma de a encontrar. Perdi a inspiração.
Não sei se é do choque do regresso de férias (já lá vai quase um mês), ou de me confrontar diariamente com coisas tão estúpidas (e não é de me faltar a palavra, são realmente estúpidas, como em estupidez gratuita) que só me apetece desancar quem as faz, citar nomes, humilhar, espezinhar e, na impossibilidade de o fazer, fugir, que não tenho conseguido escrever. Pelo menos, nada de jeito. E, para isso, não vale a pena.
Mas lamento, lamento mesmo. Gosto deste espaço, gosto de me dizer, gosto de dizer o que por aqui vai. Mas neste momento, não estou a conseguir. Talvez amanhã.
Até já, mais uma vez.

2006/09/20

O amor possível

A blahblahblah desafiou-me a participar num desafio de um blogue vizinho. Claro que não resisti. Assim, depois de alguns dias entrecortados por muito trabalho, o resultado foi este. Consiga ou não o objectivo, foi bom reflectir sobre o amor e os seus cambiantes. E, sinceramente, acredito que não pode mesmo ser definido. É o que é, e é o que somos.

Aqui fica:
Não é fácil dizer o amor. Aliás, é praticamente impossível dizer algo que não se diz, mas apenas se vive, sente, mostra. É impossível fechá-lo numa caixa de sentido quando ele tem tantos quantos seres há no mundo. Não se pode dizer onde está porque ele não tem um lugar só. Não lhe podemos dar forma porque não o podemos moldar a gosto. Apenas vivê-lo e aceitá-lo.
O amor vê-se nos gestos, no brilho do olhar, no esplendor da pele. Ouve-se nos risos, nos suspiros, na voz embargada de emoção. Revela-se na ternura dos movimentos, na carícia do olhar, na suavidade dos gestos.
Aligeira os dias mas pesa na espera. Faz-nos voar mas facilmente nos deixa cair. Alumia, mas cega. Tranquiliza e enlouquece. Recria e destrói. É simultaneamente alívio e dor. Alegria e angústia. Companhia e solidão. É leveza e quase insuportável de tão pesado. É riso e dor, luz e escuridão. É querer tudo e não querer mais nada.
O amor é tanto que não se pode dizer. ®

2006/09/15

Estádo de xoque

Estôu xocada. Hoje, no espasso de menos de 2 minutos, a mesma peçoa que me quirticou (e quirtica constatemente) por não ter reparádo que ela tinha escrito "equilíbrio" sem assento, preguntou-me se a palávra "ferro" tinha algum. Deve ser pur iço que não conssigo melhór que isto. As mínhas descúpas.

(continúo a axar q deviam encinar portuges em bélas àrtes)

2006/09/11

O mundo sem blur

E, subitamente, a lua deixou de ter um permanente halo enevoado à volta. Aliás, o mundo inteiro mudou de um local de contornos visíveis, mas indefinidos, para um sítio em que tudo está perfeitamente delineado contra o fundo em que se insere. A minha recente miopia, para além de me obrigar a usar óculos, deu-me o prazer de ver o mundo com outros olhos. Absolutamente sem blur.

2006/09/05

Regresso

"On ne dit jamais rien parce qu'on parle tout le temps."*
Eric-Emmanuel Schmitt

Às vezes, o silêncio é mesmo melhor. Mas já estava com saudades, tanto da maçã, como de escrever. Estou de volta.

*"Nunca dizemos nada porque estamos sempre a falar."

2006/08/24

Estado de choque

Não só estou com saudades da cidade como com saudades da minha maçã! Socorro! Acabei de descobrir que, no português do software comum dos utilizadores de PC's, o texto que acabo de escrever é uma "postagem". Isto existe realmente? Estarei desactualizada no meu português? Alguém me esclarece?

Ao sul

Dias quietos, de mar e sol, era o que estes deveriam ser. Mas há sempre ventos, ventos eternos que nos contrariam os prazeres. Se, ao menos, fosse possível fechar as portas à nortada, deixá-la de fora, quanto mais não fosse um dia... Valham-me os humores contrários da praia do costume que, este ano, apesar do vento, teima em contrariar os intentos dos praticantes de surf, mantendo-se de águas rasas, maré alta ou maré baixa.
Estou com saudades da cidade...

2006/08/17

En passant

Num saltinho a casa entre dois destinos, aproveito para registar que, so far, so good.

2006/08/06

Intervalo

E, porque eu preciso, tanto como mereço, vou de férias! Um mês inteiro sem nada para fazer e, por isso, com a possibilidade de fazer tudo o que me apeteça. Incluindo nada. Até já.

2006/08/01

O caminho mais fácil

“THE PEROSN WHO DOESN’T MAKE MISTAKES IS UNLIKELY TO DO ANYTHING.”
Paul Arden, It’s not how good you are, it’s how good you want to be.
Pois é, a forma mais fácil de não errar é, realmente, nem chegar a fazer o que quer que seja. Nem querer aprender a fazer, pois haverá sempre alguém disposto (ou obrigado) a fazê-lo por nós.

"É improvável que a pesoa que não comete erros alguma vez faça alguma coisa."

2006/07/26

Decisões

"If you always make the right decision, the safe decision, the one most people make, you will be the same as everyone else.

Always wishing life was different."
Paul Arden, Whatever you think, think the opposite.

Ter sempre pensado demasiado é, provavelmente, o principal motivo do meu descontentamento. A partir de agora, quando me defrontar com dois caminhos, vou tentar optar pelo menos seguro. Deve ser isso que é pensar com o coração. E acho que estou a fazê-lo já, neste momento.

"Se tomares sempre a decisão acerta, a decisão segura, aquela que a maioria toma, serás o mesmo que qualquer outra pessoa.
Sempre a desejar que a vida fosse diferente."

2006/07/24

Outside

Eu andava a sentir que as paredes que tenho vindo a construir à minha volta estavam mais finas, quase transparentes. E, apesar de estar a adorar a sensação, não conseguia deixar de temer a fragilidade inerente. Talvez tenha sido por isso que acabei por as deixar estilhaçar. E, já que deixaram de existir, não serão reconstruídas.

A lição está aprendida. Já não há portas nem janelas. Estou cá fora, e nunca mais me fecharei a quem gosta de mim.

Já agora, aproveito para agradecer a quem me critica não me esvair em lágrimas ao assistir a um qualquer filme o facto de não compreenderem por que é que choro quando se me acaba um sonho. E lamento que sofram de impossibilidade física de abraçar alguém que chora, porque eu não me importaria de partilhar o extraordinário perfume do meu Chanel.

2006/07/21

Quebrei

If blood will flow when flesh and steel are one
Drying in the colour of the evening sun
Tomorrows rain will wash the stains away
But something in our minds will always stay
Perhaps this final act was meant
To clinch a lifetimes argument
That nothing comes from violence and nothing ever could
For all those born beneath an angry star
Lest we forget how fragile we are

On and on the rain will fall
Like tears from a star like tears from a star
On and on the rain will say
How fragile we are how fragile we are

On and on the rain will fall
Like tears from a star like tears from a star
On and on the rain will say
How fragile we are how fragile we are
How fragile we are how fragile we are

2006/07/14

(con)Fusão

Estou cá. Mas, ao mesmo tempo, não estou. Estou lá. Tenho passado estes dias numa agitação completa de cá para lá sem sair do mesmo sítio. Isto cansa, porra! O corpinho está aqui, levanta-se, toma duche, veste-se, sai de casa, vai trabalhar, volta para casa, come e depois segue-se o único momento do dia em que a cabeça o acompanha. Porque, de resto, está sempre lá. Agarradinha ao coração. Acho que, finalmente, se fundiram e estão os dois em uníssono.

2006/07/10

Estamos vingados!

Não sei onde li esta frase, mas no meio de tudo a França esqueceu-se disto:

"Todos os Napoleões têm o seu Waterloo."
Acabou-se. Mais tarde, mas acabou-se. Viva a Itália (onde os homens são, sem dúvida, muito mais interessantes).

2006/07/04

Portugal e a Selecção

O país anda louco. Acaba-se uma partida de Futebol com a vitória da Selecção e sai tudo para a rua a festejar ruidosamente, enchendo carros de tal forma que, em qualquer outra situação, seria considerada de perigo extremo e multada adequadamente. Trepa-se a estátuas e sofre-se quedas perigosas, que noutros casos seriam consideradas culpa do Governo por não vigiar adequadamente os locais.

Mais: assiste-se aos jogos de camisola vestida, bandeira empunhada, cachecol de fibra a fazer transpirar o pescoço e as mãos, vestindo momentaneamente o orgulho nacional de que nos esquecemos no dia a dia. Aquele briozinho que, aproveitado, poderia possivelmente fazer este país avançar: fazer bem feito, lutar, com esforço e algum espírito de sacrifício. Com vontade de mostrar, como a Selecção, que somos bons, que conseguimos.

Mas não. Acaba o Campeonato e, passado pouco tempo, arruma-se a bandeira, enfia-se a camisola na gaveta até ao próximo e voltamos ao mesmo sentimento de inferioridade e saudosimo que sempre nos caracterizou. Que, acompanhado pelo facilitismo e espírito de desenrascanço, irá manter o país onde sempre tem estado desde há alguns anos para cá: atrás dos outros todos. A não ser no Futebol. Neste, não há lugar a desenrascanço – qualquer falha, qualquer erro, pode trazer consigo a derrota. Qualquer desvio das regras por parte de um jogador, implica um possível desempenho mais fraco, e consequente fracasso.

Quando a Selecção joga, grita-se por Portugal quando se deveria gritar por um grupo de jogadores que, esforçadamente e com espírito de sacrifício, se dedicam à causa de representar o seu país. Com orgulho. Jogadores que, na sua maioria, representam, fora dos campeonatos, clubes estrangeiros. Porque sabem cumprir regras, porque têm que corresponder com resultados ao dinheiro que ganham. Que começaram por jogar em pequenos clubes e conseguiram, por mérito, chegar à equipa suprema de um país.

Quando se assiste a um jogo do Campeonato do Mundo, ou da Europa, não é Portugal que joga, desengane-se quem ainda o pensar; é a Selecção. São os melhores dos melhores.

Pena que isto se consiga, com algumas excepções, só no Futebol. E pena também que mais portugueses, em todas as áreas, não lhes sigam o exemplo.

Temos tudo para ganhar. Tanto na Selecção, como em Portugal. Só falta fazer um esforço.

Somos o que pensamos

Um tomate é um tomate é um tomate. Sopa de tomate, salada de tomate, sumo de tomate são, e serão sempre aquilo que são e nada mais: alimentos preparados com tomate. Fruta é fruta, ovos são ovos, e todas as palavras que usamos com um segundo sentido serão, sempre, aquilo que são. Ou o que quisermos que sejam.

Num post abaixo, uma frase de Oscar Wilde resume, em si, o que quero dizer (e também um pouco o motivo dos posts que precedem este):

“É também no cérebro, e apenas neste, que ocorrem os grandes pecados do mundo.”

Elisa, voltei.

2006/06/30

Fruta

Novamente em torno da fruta*, parece que há uma nova maneira de descascar laranjas: Quanto a mim, prefiro-as cortadas aos gomos, ainda com casca, o que não só dá menos trabalho e evita sujar as mãos, como permite saboreá-las melhor.

Foto enviada pela Cláudia.
*O tomate também é um fruto, para quem não sabe. Os ovos não são frutos, obviamente.

2006/06/28

Jammed

Tenho a mania de pensar em inglês, principalmente quando se trata de emoções e estados de espírito. Sai-me melhor, mas uma coisa é certa: os tipos têm, muitas vezes, a palavra certa. Neste caso, estou feita em papas e apenas porque levei, dentro de Lisboa, uma hora e meia a fazer um percurso de quinze quilómetros em linha recta. Sendo que costumo levar o mesmo tempo, mais coisa menos coisa, de Lisboa a Sines, sem me esticar na velocidade, é coisinha para estar esborrachada como uma fruta metida em calda de açúcar a ferver. Nem me consigo mexer.
Foto daqui

E por falar em ovos...

... este está a ser um excelente ano para os tomates.

Há muito tempo que não encontrava bons tomates em Lisboa. Daqueles sumarentos, carnudos, apetitosos, cheios do sol que os amadurece na horta. Muito diferentes dos tomates criados em estufa, de tamanho normalizado e a saber a... nada. Absolutamente nada.

Este ano, tudo mudou. Os bons tomates voltaram à capital e eu já não preciso de esperar que me tragam do Algarve profundo o ingrediente principal do meu prato preferido: sopa de tomate. Que é, sem sombra de dúvida, a melhor sopa de tomate do mundo.

Finalmente, em vez de ter que ir à procura de bons tomates pelo país fora, eles quase me caem no prato. Já não era sem tempo.
Foto daqui

2006/06/27

Ovos

I Need The Eggs

Alvy Singer: I though of that old joke, y'know, the, this, this guy goes to a psychiatrist and says, "Doc, uh, my brother's crazy. He thinks he's a chicken." And, uh, the doctor says, "Well, why don't you turn him in?" And the guy says, "I would, but I need the eggs." Well, I guess that's pretty much how I feel about relationships. Y'know, they're totally irrational and crazy and absurd and, but, uh, I guess we keep going through it because, uh, most of us need the eggs.
Annie Hall (1977)
Daqui

Preciso dos Ovos
Alvy Singer: Pensei naquela velha piada, sabes, o, um, um tipo vai ao psiquiatra e diz, "Dr., ahn, o meu irmão é maluco. Pensa que é uma galinha." E, ahn, o médico diz, "Bem, então por que é que não o denuncia?" E o tipo diz, "Até fazia isso, mas preciso dos ovos." Bem, eu acho que isso é mais ou menos o que eu penso das relações. Sabes, são totalmente irracionais e loucas e absurdas e, mas, ahn, acho que continuamos a metermo-nos nelas porque, ahn, a maioria de nós precisa dos ovos.

2006/06/26

Being Wild(e)

'— (...) Somos castigados pelas nossas renúncias. Cada impulso que tentamos estrangular germina no cérebro e envenena-nos. (...) Nada mais permanece do que a lembrança de um prazer, ou o luxo de um remorso. A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedermos-lhe. Se lhe resistirmos, a nossa alma adoece com o anseio das coisas que se proibiu, com o desejo daquilo que as suas monstruosas leis tornaram monstruoso e ilegal. (...) É também no cérebro, e apenas neste, que ocorrem os grandes pecados do mundo.'
Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray
Copiado daqui

2006/06/22

Verão I

Começou ontem e só me lembrei dele quando já era hoje. Talvez porque os meus verões têm sido iguais ao resto do ano, de há uns anos para cá. Sem histórias para contar, momentos gloriosos para recordar, sem fotos de paixões guardadas em caixas de recordações.

O que guardo do Verão são ainda as memórias da infância, de amoras colhidas no campo e enfiadas em palhinhas, à laia de chupa-chupa. De banhos na ribeira. De pés enfiados na água fresca do poço que corria nos regos da horta. De tardes na eira a debulhar feijão e milho.

Do pavor que sentia quando via a prima ou a avó com um molho de couves debaixo do braço, para fazer caldo verde, que me enfiavam à força pela boca abaixo, segurando-me o nariz entre dois dedos para que a abrisse. E ainda hoje os farrapos de couve me fazem cócegas na garganta.

Do atalho até à vila, atravessando a ribeira a saltar sobre pedras estrategicamente colocadas a fazer de caminho.

Do cheiro a massa de bolo da prima Maria Amélia, das escadas intermináveis até à casa desta, que a meio tinham uma porta para um irresistível parque de diversões formado por um armazém de esponjas.

Dos anéis feitos na bigorna a partir de cravos*, oferecidos pelo latoeiro da terra aos meninos da cidade. Do fascínio pela música da chapa quando abanada.

E também da fabulosa cozinha escondida por um alçapão na casa de outra prima, nas traseiras da igreja, que parecia tirada de um livro de aventuras. E que ainda deve existir.

Do medo que tinha que os chinelos de enfiar no dedo me dividissem o pé a meio de tão íngreme que era a descida. De que ainda não me libertei.

Das tardes na piscina inventada por uma represa na zona mais larga da ribeira. Dos caminhos e hortas que se tinham que atravessar até lá para encurtar o caminho.

Era tudo tão simples e tão puro. Não se dependia de amores, paixões, dinheiro, datas, agências de viagens, quarto single ou quarto duplo. Era apenas o Verão, fora da cidade. Que agora, aparentemente, já não nos chega.

Foto daqui
*Pregos usados para ferrar os cavalos

Faz-me um favor

Agora que já sei que nunca seremos mais do que amigos distantes, faz-me um favor: arma-te em sacana insensível, trai-me, mente-me, sê o pior crápula que conseguires ser, faz tudo para me ferires de morte, ignora-me, não me ligues, finge que nunca me conheceste e que nada se passou do que se passou. Faz isso tudo para eu conseguir esquecer-te de uma vez, para te despejar no canto dos indesejáveis, para eu querer desejar-te a morte ou, antes, um destino muito infeliz. Faz com que eu consiga dizer que te odeio, que tenha vontade de te insultar, de denegrir tudo o que és, de arruinar a tua vida por vingança. Vá, faz isso por mim, e deixa de ser a pessoa mais incrível, carinhosa, compreensiva, adulta, estável, sonhadora e divertida que conheci nos últimos tempos. Faz isso, ou não vou conseguir tirar-te de mim.

2006/06/21

Coincidências

"Speak only when you can improve on silence."
Fui espreitar um link que encontrei aqui ao lado e dei com este conselho de Buddha, que vem, obviamente, atrasado e, ao que me avisaram, com vírus.

Mais do mesmo, ou a palavra certa

As línguas têm destas coisas e, em português, às vezes não se encontra a palavra certa. Talvez tenha sido por isso que usei a expressão "I'm in love" quando poderia ter usado "Estou apaixonada". Às vezes as coisas soam-me melhor em inglês, mesmo a trabalhar. E é tramado, porque nesse caso eu tenho mesmo que escrever na língua que cá se fala. Mas adiante.

O que interessa agora é que o sentimento não é de paixão, mas sim um caso grave de infatuation. Que não existe (correct me if I'm wrong) em português. E que significa estar inspirado por um intenso mas curto estado de paixão ou interesse por alguém. Indo mais longe, até ao latim, na sua origem está um estado de tolice, de profunda tonteria que só nos pode toldar os sentidos.

Por isso, aqui fica a correcção:

I'm infatuated. And still scared shitless.

Reconsiderações sobre o mesmo post

Foto daqui

Eis que me encontro a querer escrever sobre outras coisas que me tocam, como barbies trabalhadoras e burguesas do subúrbio cujos ideais se goraram, e dou por mim a não conseguir fazê-lo porque só penso numa coisa: um homem. De cujos sentimentos nem sequer tenho a certeza.

Mais uma vez, excedi-me no entusiasmo e vim a público revelar os meus sentimentos. Se calhar até é bom gritar aos sete ventos o que sinto, mas depois surge o eterno receio de me ter revelado de mais, de ter mostrado de mim mais do que queria.

Então, o público fica à espera do desenrolar da história e, desiludida, não tenho mais nada para contar. E incentiva-me, aconselha-me, mima-me, e eu fico sem saber o que dizer, e com sentimentos contraditórios sobre se deverei ou não apaixonar-me de novo. Porque, além de cegar, o amor embrutece.

2006/06/19

Reflexão sobre um post apaixonado

Mais uma vez, o post anterior teria sido apagado não fossem os comentários matinais que foram feitos. A partir do primeiro, gerou-se a confusão e eu não tive coragem. Mas pronto, já está, já está e eu não sou mulher de voltar com a palavra atrás.

Estou apaixonada, ou pelo menos in love com a ideia de o estar. É o meu estado de espírito preferido e, apesar de o ter relegado para uma qualquer gaveta de sentimentos esquecidos, tenho vindo a recuperá-lo de novo, passando por alguns tropeções valentes e volte-faces menos agradáveis. Mas, no geral, gosto de me sentir assim. E é mesmo muito bom, Elisa.

Sim, Hipatia, o moço é tripeiro, mas eu não tenho problemas com isso. Gosto da pronúncia, gosto do carácter, gosto da gente do Norte (deve ser influência de alguns resquícios minhotos nos meus genes).

Não, Blahblahblah, não, Hipatia, não, S., não estou no Porto, mas conheço-o bem. Conheço alguns dos sítios de que me falam e outros ainda que, ao longo das muitas vezes que lá tenho ido, se entranharam na minha vida, como uma certa viagem de eléctrico da Baixa até à Foz ao pôr do sol ou uma tarde na Ribeira.

Já me apaixonei no Porto, já levei um amor para o Porto, e continuo a ter, no Porto, alguns dos meus melhores amigos. Melhor ainda, uma família inteira de gente boa, sempre acolhedora e excepcional. Volto lá sempre que posso, e estou cheia de saudades. Agora, então, que os encantos de um tripeiro me seduziram, mais vontade tenho de voltar.

E não deve tardar nada.

Viv'ó Porto.

I'm in love. And scared shitless.

2006/06/14

E choveu mesmo

Foto daqui

Não estava à espera de tanto. E, de qualquer forma, a ideia era que chovesse só até de manhã. Mas ela insiste, e tem andado por aqui, agora já sem trovões e relâmpagos, tanto quanto me apercebo por entre o som do rádio e de computadores.

Soube-me bem, ontem, estar deitada na cama, de onde só vejo céu, a observar os clarões a fazerem uma festa por trás das nuvens. Sim, esconderam-se, os sacanas, mas mesmo assim eu dei por eles. A chuva só veio bastante depois, grossa e apressada, fazendo-me levantar para a ver descer a rua, em gotas agrupadas num fluxo que arrastava óleos, terra e detritos. Sempre a eito, rua abaixo, até encontrar, mesmo lá ao fundo, o rio que passa debaixo da ponte, para lhe aumentar o corpo.

Mas, de manhã, devia ter ido dormir. Já está tudo lavado – carros, prédios, ruas – e a terra rescende a fresco, com o cheiro da horta da prima Carolina depois da rega, quando eu tinha 5 anos e a minha praia era uma ribeira para lá do milheiral, em cujas margens havia flores que, esfregadas, faziam uma espécie de sabão. Ao fim da tarde, passeava pelos regos de pés descalços a sentir a corrente da água tirada do poço, com a minha avó a gritar "Cuidado! Cuidado!"

Depois, era ir para casa, jantar e dormir. Como esta chuva já devia ter ido.

2006/06/13

Tomara que chova

Foto daqui.

A sensação de que me vão fulminar. Mais uma vez olhar-me como se fosse completamente anormal. Calar. Não contrapor. Não responder. Guardar para mim que gosto de dias assim. Em que o sol se fecha por trás de nuvens e faz destas as portas de um forno, do qual ele é o motor. Deixando-nos lá dentro.

De vez em quando, gosto de dias assim, cinzentos. As cores ficam mais intensas, os pormenores não são abafados pelo brilho. Custa a respirar. Mas não temos que nos esconder por trás das lentes dos óculos escuros. Podemos olhar para o céu. Ver aquela massa irregular de condensação. Montinhos e mais montinhos que parecem suportar o nosso peso, caso resolvêssemos saltar de um para o outro. Ilusões que se vão desfazer daqui a pouco. Cair sobre nós em estado líquido, aos poucos. Mostrando-nos que tudo é efémero. Principalmente as nuvens.

Raios. Por que é que é tão estranho gostar-se de dias cinzentos? Por que é tão difícil perceber que, para se saber que está sol, também é preciso saber que está chuva?

Sabem o que quero mesmo? Uma trovoada. Das grandes. Para arrefecer a terra e os ânimos. Para lavar este ambiente. Para criar um intervalo neste verão prematuro. Para mudar esta rotina de dias iguais. Tomara que chova. Até de manhã.

Faz hoje um ano

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
Eugénio de Andrade
19/01/1923-13/06/2005

Momento Popular #2

Ó meu rico Santo António,
que me tiraste do ninho
Volta já para a semana
Traz-me lá um amorzinho.
Não liguem, isto é a sangria a falar. Teve que ser bastante, primeiro para compensar os quase 200 degraus a subir, depois para ganhar coragem para os descer de novo. Ainda tenho as pernas a tremer. Mas valeu a pena, com manjerico ou sem ele. Valeu mesmo.

2006/06/12

Momento Popular




Inspirada pelos casos de sucesso de pelo menos duas amigas minhas, hoje vou ter com o santo casamenteiro a ver se tenho alguma sorte na vida. Talvez saia da Mouraria agarrada a um aromático manjerico, oferecido por outro. Ou talvez não.

2006/06/07

A hell of a day

Não acredito em superstições. Detesto crenças como a de que, se não olharmos nos olhos do outro quando brindamos, teremos não sei quantos anos de mau sexo. Abro chapéus dentro de casa (se possível, quando há alguém supersticioso ao pé). Não fujo de gatos pretos, antes pelo contrário. Quando há uma escada no meio do caminho, só me desvio se não for absolutamente possível passar por baixo dela. Ainda não percebi o significado de bater na madeira. Digo palavras como cobra e azar sem sequer pensar duas vezes. Adoro que o mês comece ao domingo para me garantir uma sexta-feira 13. (Por falar nisso, acho que o problema de sentar esse número de pessoas a uma mesa só tem que ver com o facto de os serviços serem feitos para 12 pessoas.)

Sou capaz de deitar pão fora sem pedir perdão a quem quer que seja, e entornar vinho na mesa, ou passar o sal assim e assado não têm qualquer significado negativo para mim. Esconjuro os meus demónios com força de vontade e raciocínio lógico, sem
a ajuda de amuletos ou de orações. Acredito firmemente que só eu me posso perdoar a mim mesma, e que nenhum ser sobrenatural pode dominar a minha vida.

Por isto tudo, quero lá saber se o dia que passou foi o dia da besta. Que besta? Que religião é esta que inventa papões para atormentar quem segue o instinto? Que oferece perdão unicamente a quem a ela se submeter?

Diabo? Anticristo? Inferno? Com ele ou sem ele, o dia hoje correu-me extremamente bem. Tenho um saquinho cheio de ilusões, a brilhar de novas e a trazer-me muita luz.

Foi, realmente, um dia dos diabos!

2006/06/06

Interruptor

"A ilusão é luz, a desilusão breu".
Pascal
Haverá alguma coisa no meio? Sinto-me na penumbra, a enfrentar diariamente uma desilusão e a tentar, a todo o custo, iludir-me de novo com algo que valha a pena. Queria poder ligar o interruptor da ilusão e quebrá-lo, para que nunca mais ninguém o possa mudar de posição. Face à impossibilidade de mudar a ordem das coisas, limito-me a coleccionar ilusões, na esperança de que o seu número se sobreponha ao das desilusões, para não deixar apagar a luz.

É isso, o meio que procuro está, neste caso, no desequilíbrio.

2006/06/03

Morning Glory

Hoje eu ia levantar-me cedo e fazer todas aquelas coisas que tenho vindo a adiar, mais algumas que não posso de modo algum deixar para trás. Ia fazer isto de manhã, aquilo à tarde e, se calhar, à noite, talvez ainda tivesse tempo para fazer mais qualquer coisa.

Acordei como sempre acordo, com o sol espraiado na parede em frente à cama. Hmmm, belo dia. Tomei o pequeno-almoço a fazer zapping pelos canais do Cabo e, de repente, ao passar pela 1, dei finalmente conta das horas. 13:07:37.

Mais uma vez, lá se foi meio sábado. Venha o resto.